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Síria gera cacofonia em gabinete de Trump

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ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL

BOSTON, EUA (FOLHAPRESS) - Se há um ponto sobre o qual os integrantes da cúpula do governo de Donald Trump não divergem ao comentar o ataque à Síria na última semana é que os próximos passos dos EUA no país dependerão agora da reação do ditador Bashar al-Assad.

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A falta de um plano para a ação na Síria, no entanto, não preocupa só por sinalizar uma possível impulsividade, mas também por tornar a política dos EUA para a região refém das ações de Assad.

Neste domingo (9), o secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou que o ataque à Síria é um sinal para outros países, sobretudo Coreia do Norte.

A declaração é um sinal de que a política externa do governo Trump, que ainda pena para entrar nos trilhos, pode ser empurrada para uma abordagem reativa.

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"A mensagem que qualquer nação pode tirar é 'se você viola os acordos internacionais, se fracassa em cumprir compromissos, se vira uma ameaça para outros, em alguma hora uma resposta será dada", disse Tillerson no programa "This Week", da rede ABC, ao ser questionado sobre a Coreia do Norte.

No sábado, menos de 48 horas após atacar a Síria -e no dia seguinte de seu primeiro encontro com o presidente chinês, Xi Jinping-, Trump enviou um porta-aviões e dois destróieres para a península Coreana.

Para o historiador Julian Zelizer, da Universidade Princeton, adotar como padrão de política externa ações militares isoladas sem planejamento de longo prazo é um "perigo" para os EUA, por abrir caminho para que outros países testem a curta paciência do governo Trump.

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"Se Trump, de fato, adotar uma política externa reativa, deixará os EUA dependente de outros países. Políticas mais fortes tendem a ter metas e cenários claros para o futuro", afirmou à reportagem.

Kori Schake, assessora de segurança nacional de George W. Bush (2001-09), também vê com preocupação o modelo reativo usado na última semana. "A indisciplina que caracteriza as ações de Trump pode levá-lo a reações emocionais sem estratégia correspondente", escreveu Schake no site da revista "Foreign Policy".

DIVERGÊNCIAS INTERNAS

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No caso da Síria, não há consenso entre as declarações dos mais altos integrantes da diplomacia do governo Trump sobre um dos pontos mais complexos da equação -o futuro de Assad.

Neste domingo, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse à CNN que a mudança de regime na Síria é "uma prioridade" do governo Trump, junto com o combate à facção terrorista Estado Islâmico e à influência iraniana no país árabe.

"Não vemos uma Síria pacífica com Assad [no poder]", disse ela no programa "State of the Union".

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Tillerson, por sua vez, manteve a posição inicial do governo Trump, de que a saída de Assad é decisão do povo sírio, e de que o foco americano é "derrotar o EI".

A declaração se dá antes da viagem de Tillerson à Rússia, principal aliada de Assad, nesta semana.

"Nós vimos o que houve com uma mudança de regime violenta na Líbia. A situação no país continua muito caótica. Acho que temos que aprender a lição do que deu errado na Líbia", disse ele.

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As especulações sobre um novo padrão a partir do ataque à Síria se devem, sobretudo, ao fato de não haver clareza sobre as diretrizes da política externa de Trump nem sobre quem a lidera, passados dois meses de governo.

Desde o início do governo, Tillerson tem sido ofuscado em decisões que caberiam à sua pasta por outros membros do gabinete de Trump, como o genro do presidente, Jared Kushner, e agora Haley.

Kushner foi enviado por Trump ao Iraque e teve papel importante nas conversas iniciais com Israel e China. Já Haley virou a voz mais forte contra a Rússia.

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O Departamento de Estado é um dos órgãos mais afetados pelos cortes de Trump no Orçamento para que o governo aumente os gastos militares, e a pasta ainda tem altos cargos em aberto.

Na Casa Branca, o estrategista-chefe, Steve Bannon, importante voz também para política externa, perdeu espaço ao deixar o Conselho de Segurança Nacional em sua reformulação recente. O movimento, coordenado pelo novo conselheiro de Segurança Nacional, o tenente-general H. R. McMaster, mostra que ele agora também é peça imprescindível no tabuleiro externo de Trump.

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