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ATUALIZADA - Explosão em igreja cristã deixa dezenas de mortos e feridos no Egito

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Duas explosões em igrejas egípcias mataram ao menos 43 pessoas e deixaram mais de 100 feridas durante as celebrações do Domingo de Ramos (9), semanas antes da visita do papa Francisco.

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A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou ambas as ações por meio de sua agência oficial Amaq, um de seus canais virtuais.

O primeiro ataque deixou ao menos 27 mortos e 78 feridos na igreja de Mar Girgis, na cidade de Tanta, na região do delta do rio Nilo, segundo o Ministério da Saúde do Egito.

Um homem-bomba explodiu em seguida diante da catedral de São Marco, em Alexandria, na costa mediterrânea, vitimando ao menos 16 pessoas e ferindo outras 41, informou o ministério.

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A imprensa local relata que um segurança tentou impedir esse segundo ataque, segurando o suicida.

O papa Tawadros, líder da igreja egípcia, estava no edifício atacado em Alexandria, mas não se feriu, de acordo com o Ministério do Interior.

As estimativas de vítimas ainda são preliminares e serão revistas pelo governo.

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COPTAS

Imagens de Tanta mostram os bancos da igreja ensanguentados, entre fumaça. Alguns corpos estão no chão, cobertos por papel.

Mar Girgis é o nome dado no Egito a São Jorge. Os coptas, ramo egípcio do cristianismo, correspondem a cerca de 10% da população de mais de 90 milhões. Apesar de os atritos no dia a dia serem raros, houve outros episódios de violência sectária durante os últimos anos.

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A onda de ataques foi intensificada depois da derrubada do presidente islamita, Mohammed Mursi, que representava a Irmandade Muçulmana. Islamitas culpam cristãos por terem apoiado o golpe militar de 2013, que encerrou o seu governo.

A organização terrorista Estado Islâmico, que assumiu um ataque contra outra igreja copta em dezembro de 2016, com 25 mortos, havia voltado a ameaçar cristãos em um comunicado divulgado em fevereiro deste ano.

Essa milícia radical, baseada na Síria e no Iraque, tem um importante braço no norte do deserto do Sinai.

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Famílias cristãs deixaram a região do Sinai em fevereiro após uma onda de assassinatos por essa milícia.

PAPA

O ataque à igreja neste domingo aumentará a pressão para que o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, incremente a segurança e impeça novos ataques.

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Seu governo, substituindo o islamita Mursi, se baseia em parte em sua habilidade de estabilizar esse país, que passa ademais por uma grave crise econômica.

A explosão na igreja copta coincide, ainda, com a visita do papa Francisco, prevista para o fim deste mês, o que colocará a tensão sectária ainda mais em debate.

O papa afirmou, em missa no Vaticano, que "reza pelos mortos" do ataque. "Que o senhor converta os corações das pessoas que semeiam terror, violência e morte e mesmo os corações daqueles que produzem e traficam armas."

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Cristãos egípcios não enfrentam apenas a violência de grupos radicais islamitas. Ativistas acusam também o governo de discriminá-los.

Tribunais têm condenado coptas com base em um artigo do Código Penal que pune a blasfêmia. Foram três casos em 2011, durante a revolução que derrubou o então ditador Hosni Mubarak. Em 2015, quando Sisi já era seu presidente, foram 21.

Um dos casos mais emblemáticos dos últimos anos é o dos adolescentes que foram condenados a cinco anos de prisão por gravar um vídeo ridicularizando o Estado Islâmico o que foi considerado pelo vilarejo como um desrespeito ao islã.

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Os jovens dizem que estavam criticando a facção terrorista, no vídeo, por ter matado 21 cristãos egípcios trabalhando na Líbia em 2015.

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