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Prisão de migrante comove bairro londrino

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Uma vez por mês, sempre uma quinta-feira, Stojan Jankovic, 53, repetiu o mesmo ritual: compareceu às autoridades migratórias e assinou papéis que prolongavam sua estadia no Reino Unido, para onde migrou em 1991 vindo da antiga Iugoslávia.

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No final de março, ao chegar ao mesmo escritório do governo que frequentou por anos, sua rotina foi rasgada. Sem aviso, ele foi detido com as roupas do corpo. Ameaçaram deportá-lo.

A notícia coincidiu com o "brexit" -a saída britânica da União Europeia iniciada um dia antes, na quarta-feira (29)- e com os debates sobre o controle da migração.

Comovidos, moradores da região de Kentish Town, no norte de Londres, organizaram um abaixo-assinado em sua defesa. Jankovic, que trabalha em um mercado orgânico local há 15 anos, é apelidado de Stoly pelos vizinhos.

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A campanha reuniu mais de 20 mil assinaturas em dois dias e atraiu o apoio de um parlamentar. Uma carta enviada ao governo dizia que Stoly "vive e trabalha na comunidade há 26 anos, durante os quais serviu às pessoas com gentileza, bom humor e trabalho duro".

A pressão da vizinhança parece ter tido algum impacto: Stoly foi solto na segunda-feira (3) e recebeu um prazo de 14 dias para regularizar sua situação. Caso contrário, pode ser deportado.

Há agora uma arrecadação on-line para ajudar esse migrante com sua defesa.

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"Ele poderia ter sido deportado em qualquer momento dos últimos anos", diz à Folha Sue Odell, uma moradora do bairro e cliente de Stoly. "É estranho que tenha acontecido justo agora."

"O governo provavelmente vai anunciar em breve suas estatísticas de deportação e Stoly será apenas mais um número para eles", afirma.

Stoly chegou ao Reino Unido em 1991 fugindo de um país que se esfarelava e beirava a guerra. Seu pedido de asilo foi negado, segundo o jornal britânico "The Guardian", e sua permissão de estadia expirou em 1999.

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Desde então, o migrante trabalha e contribui com os impostos, comparecendo mensalmente às autoridades para prestar contas.

"Conheço ele há 15 anos", diz Odell. "É uma grande pessoa. Um cara amável. Toma conta de todo o mundo."

Odell diz que teve a ideia para o abaixo-assinado, que organizou com outro morador, na noite de sexta e, na manhã seguinte, estava na porta do mercado juntando assinaturas. A campanha virtual chegou a 20 mil apoiadores e, diz, garantiu a soltura.

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O apoio do parlamentar Keir Starmer (Partido Trabalhista) foi decisivo. Ele escreveu ao Ministério do Interior criticando a detenção súbita.

"Stoly é muito educado e deve ter sido considerado um alvo fácil. Eles devem ter se chocado ao ver quanto apoio ele tinha", diz Odell.

A campanha inundou o Earth Natural Foods, o pequeno mercado onde Stoly trabalha, de demonstrações de solidariedade.

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Grayson diz que a contratação foi regular e que todo o processo foi feito com transparência e com o conhecimento das autoridades. "Nada foi escondido sobre seu trabalho ou permanência."

"Muita gente se envolveu, o que é muito positivo", diz. "Stoly é uma pessoa popular e está aqui há quase metade da sua vida. É seu lar."

A Iugoslávia que Stoly deixou para trás, em 1991, já não existe mais. Caso deportado, ele será enviado à Sérvia, país do qual diz não ter o passaporte nem contatos.

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"Eu me considero totalmente assimilado aqui. Não sei mais o que posso fazer a respeito", Stoly disse a um jornal local, quando ainda estava detido. É meu bairro, minha cultura. É meu lugar."

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