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Para analistas, motivação de Assad em ataque químico é enigma

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Por que o ditador sírio, Bashar al-Assad, atacaria civis com armas químicas justamente no momento em que está "ganhando" a guerra civil que assola a Síria desde 2011, sabendo que essa atrocidade faria a comunidade internacional pedir sua cabeça? Essa é a pergunta que vem desafiando vários analistas e originou uma série de teorias conspiratórias na internet.

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Desde setembro de 2015, quando a Rússia passou a apoiar Assad com ataques aéreos e tropas terrestres, o regime começou a recuperar territórios e virar o jogo. Em dezembro do ano passado, Assad retomou dos rebeldes a segunda maior cidade do país, Aleppo.

O governo Trump vinha dando indicações de que derrubar Assad não era prioridade e que ia se concentrar no combate ao Estado Islâmico. A embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse em março: "nossa prioridade não é mais tirar o Assad".

"A história mostra que líderes atacam suas populações quando estão desesperados ou prestes a serem depostos", afirma o especialista em terrorismo Max Abrahms, professor da Northeastern University. "É um pouco estranho pensar que Assad resolveu comemorar seus ganhos territoriais atacando a população com armas químicas."

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Segundo autoridades sírias e russas, o que houve foi um bombardeio acidental de um depósito onde a oposição armazenava as armas químicas.

Mas essa versão é vista como pouco provável pela maioria dos especialistas. Serviços de inteligência das EUA e da França afirmam ter evidências de que realmente foi o Exército sírio que atacou a cidade de Khan Sheikhoun e matou ao menos 72 pessoas.

Para o presidente do Council on Foreign Relations, Richard Haass, o ataque é "um mistério". "Talvez Assad não esteja tão confiante sobre sua posição quanto as pessoas acham e possivelmente queira não incentivar os que se opõem ao regime e controlar territórios liberados do EI".

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Uma terceira hipótese, remota, seria uma ação não autorizada do Exército sírio. Para Abrahms, os generais podem ter decidido fazer o ataque, à revelia ou sem ter luz verde de Assad. Já a mudança de posicionamento do presidente Donald Trump é mais fácil de entender, embora tenha sido bastante brusca.

Em 2013, Trump tuitou várias vezes censurando as intenções do ex-presidente Obama de intervir na Síria. "A Síria não é problema nosso" e "Não ataque a Síria". Quando as imagens chocantes do ataque em Khan Sheikhoun vieram à tona, Trump inverteu sua posição e passou a condenar a inação de seu antecessor.

TRUMP

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Em 2012, o presidente Obama advertiu Assad de que o uso de armas químicas seria "uma linha vermelha". Em 2013, Assad matou 1300 pessoas com um ataque de gás sarin em Ghouta. Mesmo assim, Obama acabou não intervindo no país.

Trump disse na quinta (6) que "algo precisa acontecer" com Assad. E o secretário de Estado Rex Tillerson sugeriu a possibilidade de "mudança de regime". "Trump quer ser visto como um cara durão, então podemos esperar algum tipo de ação militar", diz Abrahms.

O tamanho dessa ação é a maior dúvida. Para analistas, pode ser uma resposta mais simbólica, como bombardeio das forças aéreas de Assad. Assim Trump não seria visto como alguém que recua e se diferenciaria de Obama.

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De quebra, ganharia pontos internamente. No momento em que o governo Trump é alvo de várias investigações sobre a interferência russa nas eleições, o republicano iria bombardear o protegido de Putin, uma boa maneira de estabelecer sua "independência" do Kremlin.

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