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Portela diz que vai recorrer de decisão que a fez dividir título com Mocidade

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Portela anunciou nesta quinta-feira (6) que vai recorrer da decisão da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) que dividiu o título do Carnaval carioca de 2017 entre a escola de Madureira e a Mocidade Independente de Padre Miguel.

A decisão foi tomada na noite de quarta (5), em sessão plenária com as escolas do Grupo Especial, após votação pelas agremiações. A Liga decidiu dividir o título porque um dos jurados cometeu um erro, prejudicando a Mocidade.

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A Portela pedirá a anulação da sessão porque, segundo a escola, a decisão vai contra o regulamento da Liesa, que diz que o assunto deveria passar por três instâncias antes de ser concluído.

"Em lugar nenhum está previsto que a situação fosse resolvida em plenária", disse o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães.

Por ora, diz a escola, o recurso será apenas à Liga, mas não está excluída a possibilidade de levar a discussão à Justiça comum.

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A Portela foi declarada a vencedora na Quarta-feira de Cinzas, com 269,9 pontos dos 270 possíveis. A Mocidade ficou em segundo lugar por um décimo. Na sequência, aparecem Salgueiro (269,7) e Mangueira (269,6).

Depois da apuração, no entanto, quando as justificativas para as notas dos jurados foram divulgadas, ficou claro que um deles havia cometido um erro –penalizara a Mocidade pela ausência de um destaque que não estava previsto.

O erro aconteceu porque o jurado baseou sua nota em um roteiro desatualizado do desfile. No roteiro original, a Mocidade dizia que haveria um destaque no chão, mas na versão final, a escola não citava o destaque. O jurado tirou justamente um décimo da escola.

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A Liesa não explicou por que o jurado não tinha a versão atualizada do roteiro.

Se o jurado não tivesse subtraído o décimo da nota da Mocidade, a escola teria empatado com a Portela. No desempate, teria vencido a Mocidade pois teve nota mais alta no quesito decisivo, comissão de frente.

IMPREVISTOS

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O Carnaval do Rio teve uma série de imprevistas neste ano, o que levou a Liesa a determinar nenhum rebaixamento. Segundo a própria Liga, os acidentes com carros alegóricos da Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca ficaram marcados como os piores nos últimos 33 anos da avenida.

O carro da Tuiuti perdeu o controle e atropelou ao menos 20 pessoas no domingo (26). Duas mulheres permanecem internadas. O estado de saúde delas é estável. Elisabeth Jofre está no Hospital Municipal Souza Aguiar e a fotógrafa Lúcia Mello está no Hospital Municipal Miguel Couto.

Já no desfile da Unidos da Tijuca, uma parte do carro alegórico despencou e integrantes da escola chegaram a sofrer uma queda de seis metros, na segunda (27).

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Somados, os dois acidentes feriram 32 pessoas. Muito criticada por não ter interrompido os desfiles no momento do acidente, o que teria prejudicado o trabalho de socorro aos feridos, a Liga recebeu vaias no Sambódromo, quando o presidente Jorge Castanheira anunciou a medida.

Gritos de "vergonha" foram ouvidos nas arquibancadas, onde o público costuma acompanhar a apuração. A falta de punição é vista por críticos como uma forma de beneficiar escolas que foram imprudentes com as questões de segurança. "Foi uma fatalidade, mas quem errou tem que pagar", disse Neguinho da Beija-Flor.

A Polícia Civil do Rio abriu dois inquéritos para apurar os acidentes com as escolas. Já o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) prometeu criar um sistema de certificação e fiscalização dos carros alegóricos. Essa regulação passaria a valer no Carnaval de 2018.

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