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Estatística aparece desde o 1º ano do fundamental na nova base curricular

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NATÁLIA CANCIAN E SABINE RIGHETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A nova versão da base nacional curricular traz mudanças na organização dos conteúdos e nos objetivos previstos para cada etapa e tenta aproximar o aluno da vida real, segundo especialistas e técnicos do Ministério da Educação que participaram da elaboração do documento.

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Após rodadas de discussões, a versão final do documento que deve servir como referência para o ensino no país será entregue pelo Ministério da Educação ao Conselho Nacional de Educação nesta quinta-feira (6). A previsão é que o conselho analise o documento até o fim deste ano.

Só depois disso, as mudanças começam a ser implementas nas escolas públicas e privadas de todo o país. Hoje, o que é ensinado nas escolas se baseia em diretrizes municipais ou estaduais de ensino, no material didático e em exames de avaliação como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Entre as alterações em relação às versões anteriores do documento, estão o aumento de conteúdos de probabilidade e estatística em matemática, reforço da ordem cronológica para o ensino de história e maior atenção à redação em português, por exemplo.

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Na parte dedicada à língua portuguesa, o documento reforça a necessidade de maior atenção, nos últimos anos do ensino fundamental, a atividades que envolvam interpretação de textos, distinção de fatos e opiniões e produção de textos -algumas das principais dificuldades hoje dos alunos nas avaliações como o Enem.

Já a matemática passa a ter maior foco na resolução e entendimento de problemas do que em técnicas a serem decoradas. Entre os conteúdos, o destaque vai para a probabilidade e estatística, que, antes praticamente ausentes do documento, passam a constar na base para serem ensinados desde o 1º ano. Logo aos seis anos, descreve a base, o aluno deve ter habilidade de "leitura de tabelas e de gráficos de colunas simples."

Neste caso, o aluno poderá encontrar, no conteúdo ensinado em sala de aula, algumas noções iniciais de probabilidade, atividades que envolvam a coleta e o registro de informações, além da leitura gráficos e tabelas simples.

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Em ciências, foram incorporados exemplos práticos e próximos da realidade -como questões ligadas à saúde, ou o ensino da atmosfera atrelado a discussões sobre mudanças climáticas, por exemplo.

A base, no entanto, deixou de fora algumas sugestões, apresentadas por especialistas, para maior incorporação da tecnologia nessa área de ensino.

"Em pleno século 21, é inconcebível que o Brasil não ensine tecnologia e programação para suas crianças", diz Paulo Blikstein, do Lemann Center da Universidade de Stanford (EUA). "É trágico porque a criança da escola particular vai aprender a programar, deixando o aluno da escola pública ainda mais para trás."

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Bases curriculares de países como o Canadá já incluem programação entre as linguagens a serem aprendidas. "A base precisa olhar para o futuro", diz Blikstein. "Precisa sinalizar para governos e as escolas como as coisas devem ser em cinco ou dez anos, e fazer acontecer."

A nova versão do documento também apresenta a obrigatoriedade do ensino de inglês, incluindo a gramática -geralmente deixada de lado por algumas escolas.

Já a parte de história ganhou reforço na ordem cronológica. "Isso torna a base mais organizada para o professor, que trabalha com esse eixo", afirma Janice Theodoro da Silva, professora aposentada da USP e uma das redatoras da base.

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Segundo ela, a segunda versão já tinha uma ordem cronológica, mas havia uma maior preocupação com os temas. "Mantivemos algumas questões bastante valorizadas na consulta pública, como questões de gênero, indígenas e a história da África. Antes, entravam mais na forma temática. Agora, entra no eixo cronológico."

História é uma das áreas sensíveis do debate curricular. A primeira versão da base, lançada em setembro de 2015, por exemplo, havia excluído ensino de história antiga como Grécia e Roma para enfatizar a história afro-americana.

Após reações acaloradas, o conteúdo voltou a aparecer no segundo texto, de maio de 2016, e se manteve na terceira versão que segue agora para apreciação do CNE.

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