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Na nova temporada de 'Psi', Calligaris questiona valor absoluto da vida

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GUILHERME ZOCCHIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No início da terceira temporada de 'Psi', série da qual é criador e diretor-geral, o psicanalista Contardo Calligaris, colunista da Folha de S.Paulo, questiona a vida como "valor absoluto".

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A nova fase da produção começa tratando do suicídio assistido e do direito de morrer, e pretende continuar com outros temas controversos.

A Folha de S.Paulo realizou a pré-estreia dos dois primeiros episódios, na terça-feira (4), em São Paulo, em conjunto com a HBO, produtora da série. O evento incluiu um debate com Contardo, seu filho, Max Calligaris, que dirige os episódios e com parte do elenco.

"Será que todo desejo de morrer é patológico?", questionou o psicanalista no debate, citando a personagem Eugênia (Maria de Medeiros), uma médica que ajuda suicidas a se matarem.

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No enredo, a jovem paciente Aurora Sampaio (Gabriela Toloi), 18, sofre de uma doença fatal e quer decidir como e quando morrer.

Mas sua vontade esbarra nas regras brasileiras. O direito à vida é inviolável, de acordo com a Constituição Federal, e não existem leis que prevejam formas de eutanásia ou suicídio assistido.

A noção de vida como valor absoluto é, em termos históricos, recente, lembrou Contardo no debate. Ele disse que há um século pensava-se mais em por quais causas valia a pena morrer do que em tentar preservar a existência a qualquer custo.

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O psicanalista afirmou que "a vida, em si, não é um valor para a psicanálise". Contardo contou que inspirou-se em uma paciente para criar a personagem Aurora. "Era jovem, teve um câncer devastador e sofreu muito, mas não tinha essa história de suicídio assistido."

Segundo Contardo, "o que a psicanálise ensina é que o desejo das pessoas merece respeito".

"A gente tem que consentir, às vezes, com a morte de pessoas próximas. Há momentos em que a gente tem que dizer para alguém que ele tem o direito de morrer", disse.

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