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Na OEA, líder opositor defende 'sanções' ao governo da Venezuela

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Após se reunir com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, na manhã desta sexta (31), o líder opositor venezuelano, Henrique Capriles, defendeu "que venham as sanções" dos organismos internacionais ao país após o TSJ (Tribunal Supremo de Justiça) se apropriar das funções da Assembleia Nacional.

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Há duas semanas, Almagro ameaçou convocar uma votação para suspender Caracas da OEA se o país, em 30 dias, não convocasse eleições, libertasse opositores e alterasse a composição da Justiça.

Nesta sexta, o chanceler brasileiro, Aloysio Nunes, defendeu à Folha de S.Paulo que a Venezuela seja expulsa do Mercosul, da qual já está suspensa. Os chanceleres do bloco se reúnem neste sábado (1º) em Buenos Aires.

"Todos [os blocos] têm cláusulas a serem respeitadas, cumpridas. Se o governo venezuelano não as cumpre, que venham as sanções, as consequências. Eu respaldo toda decisão que aponte a resgatar a democracia no meu país", disse Capriles, ao ser questionado sobre a posição do chanceler brasileiro.

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O governador do Estado venezuelano de Miranda afirmou que os grupos regionais têm que se pronunciar sobre o desmantelamento da Assembleia porque Mercosul, Unasul (União Sul-americana de Nações) e OEA "foram, no passado, refúgio para o atropelo do oficialismo" venezuelano.

"Esse momento que vive a Venezuela é um momento decisivo na região, no continente: [escolher ficar entre] os que estão a favor da democracia, que estão ao lado do povo, e os que estão com a corrupção, o ditador e com os seus interesses", disse Capriles.

Nesta sexta, seis países membros da Unasul, dentre eles o Brasil, emitiram uma nota em que "condenam" o manobra do TSJ contra o Legislativo venezuelano. O documento faz um "urgente chamado para que o governo da Venezuela avance efetivamente na aplicação de medidas concretas, concertadas com a oposição" e pelo "pronto restabelecimento da ordem democrática" no país.

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CARTA DEMOCRÁTICA

O opositor disse esperar que a OEA se pronuncie oficialmente sobre o "golpe de Estado" em curso no seu país, em uma declaração, e que a invocação da Carta Democrática do bloco "siga seu curso". Se invocada a Carta da OEA, a Venezuela pode, em última instância, ser suspensa do organismo, como ocorreu com Honduras, em 2009, após o golpe contra o presidente Manuel Zelaya.

"Pedimos que a OEA se pronuncie sobre este tema. Tudo o que corresponde à Carta democrática segue seu curso. Mas não são coisas excludentes", disse Capriles.

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Almagro convocou uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA, que deve ser realizada na próxima segunda-feira (3) para debater a decisão do TSJ de retirar os poderes do Legislativo venezuelano, de maioria opositora.

"Em paralelo, continua nosso pedido para que haja eleições, [a abertura de um] canal humanitário, libertação de presos políticos e respeito à Assembleia Nacional", afirmou Capriles, destacando, contudo, que isso não deve ser conseguido por meio do diálogo mediado pelo ex-premiê espanhol José Luis Zapatero.

"Acho que o Vaticano [que também é um mediador] é um ator de muito boa fé e não queremos perdê-lo. Agora, com uma instância de mediação como a que Zapatero lidera, não vamos a lugar nenhum", disse.

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Para Capriles, a solução por meio do diálogo com Maduro está "perto do impossível".

Até o início da semana, a defesa de Almagro pela suspensão da Venezuela da OEA não encontrava apoio entre a maioria dos Estados membros, como o Brasil. No último dia 23, um grupo de 14 países disse, em comunicado, que a suspensão era "medida de último recurso, considerada após se esgotarem os esforços diplomáticos dentro de um prazo razoável".

Em sessão na última terça (28) -antes da decisão do Judiciário venezuelano-, outros seis países se juntaram aos 14 em uma declaração que pedia à OEA "propostas concretas" para definir um plano de ação que identifique soluções diplomáticas no "menor prazo possível".

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