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Suspeito de manter irmã por 16 anos trancada em casa no Ceará é preso

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MARCEL RIZZO

FORTALEZA, CE (FOLHAPRESS) - Uma mulher foi resgatada depois de viver por 16 anos em cárcere privado, no interior do Ceará. Maria Lúcia de Almeida Braga, 36, era mantida pela família em um cômodo apertado, de 3x3 metros, sem banheiro e com apenas uma rede, onde dormia.

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A polícia chegou ao local após denúncias anônimas. Maria Lúcia foi encontrada nua e sem conseguir falar em um sítio na cidade de Uruburetama (a 120 km de Fortaleza). Ela foi encontrada em 9 de março, mas a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará só divulgou agora porque prendeu o irmão da vítima, João de Almeida Braga, 47, suspeito de deixá-la presa.

"No dia que a encontramos, a vítima estava atônita. Ao longo de 20 dias, ela já teve um ganho de peso, está escrevendo e também falando, mas ainda com dificuldade. Aos poucos, ela está voltando a viver", disse o delegado Harley Filho.

A informação levantada pelos policiais é que a mulher foi trancada em 2001 pelos pais depois de engravidar de um relacionamento que não deu certo. Ela teria ficado com problemas psicológicos após o fim do namoro, e a família a teria deixado no cômodo para evitar nova gravidez. O menino que nasceu foi entregue a outra família, e já está identificado pela polícia.

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Com a idade avançada dos pais, que não tiveram os nomes divulgados, coube ao filho, e irmão de Maria Lúcia, deixá-la presa. Segundo a polícia, ela recebia duas refeições diárias, e fazia suas necessidades no chão, já que não havia banheiro no local.

Foi preciso quebrar dois cadeados e um arame para ter acesso ao terreno, informaram os policiais. Havia ainda um terceiro cadeado na casa principal, e depois mais um para entrar no cômodo onde Maria Lúcia estava presa. "A única reação dela, ao ver a equipe de policiais, foi abrir os braços e vir em nossa direção", afirmou Harley Filho.

João de Almeida Braga foi indiciado por maus-tratos e cárcere privado. Se condenado, pode pegar prisão de um a quatro anos pelos maus-tratos, e de dois a cinco anos pelo cárcere privado.

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