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Britânicos protestam contra o início do 'brexit' em frente ao Parlamento

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Assim que é confirmada a entrega da carta que oficializa o início do "brexit", nesta quarta-feira (29), um homem vestido de capitão grita diante do Parlamento britânico: "O barco está afundando!".

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Atrás dele, uma mulher toca no violino a mesma música que, no filme "Titanic", embalava o naufrágio do navio. Uma triste melodia -dequada, segundo esses manifestantes, à saída do Reino Unido da União Europeia.

O protesto diante do Parlamento, simultâneo ao discurso da primeira-ministra Theresa May oficializando o "brexit", atrai poucas dezenas de pessoas, em um clima de pessimismo.

"Quis estar aqui porque acredito que a saída da União Europeia é contrária aos interesses do Reino Unido", diz Hayley Mars, 22. Ela segura uma placa com o valor estimado para a conta do divórcio britânico: 60 milhões de euros, ainda em debate.

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"Estamos jogando fora décadas de integração e paz graças às mentiras da direita", afirma. Reino Unido e União Europeia estão integrados há 44 anos.

SOBERANIA

O "brexit" foi decidido em um plebiscito em 23 de junho de 2016, quando 52% da população britânica escolheu deixar o bloco econômico que inclui outros 27 países.

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Uma das questões centrais no debate público foi a retomada do controle migratório, hoje diluído em instituições europeias e, para parte dos britânicos, longe demais de Londres.

"Fiz campanha pelo 'brexit' porque acredito que devemos ter a nossa soberania", diz à reportagem Keith Forster, 70, em uma manifestação de três pessoas diante do Parlamento, ao lado da banda do Titanic.

Forster, com um broche do partido eurocético Ukip, força motora do "brexit", diz que o Reino Unido precisa recuperar seu poder de decisão -"votei para não receber mais ordens de Bruxelas", diz.

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PROCESSO

Agora que a saída do Reino Unido foi informada oficialmente à União Europeia, ambas as partes irão negociar seu futuro por até dois anos, prazo estipulado pelo Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regula esse processo.

Será necessário decidir, por exemplo, o futuro dos cidadãos europeus no Reino Unido e o dos britânicos na União Europeia. Somadas, são mais de 4 milhões de pessoas.

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Essa deve ser uma das prioridades dos negociadores europeus, que querem garantir o direito de permanência e trabalho de seus cidadãos. Isso afeta os milhares de brasileiros com cidadania italiana residindo no Reino Unido.

Também será preciso determinar se o Reino Unido continuará no mercado único europeu e na união aduaneira, cenários que a premiê May já sinalizou não antever. Essa perspectiva preocupa os mercados, que passarão a enfrentar barreiras e custos em seus negócios.

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