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Maria Rita Stumpf, revelação de 1989, é redescoberta por DJs

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THIAGO NEY

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Ih, já apareci em vários lugares como 'Maria Rita, filha do César Camargo Mariano'.", ela lamenta, resignada.

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Antes da cantora Maria Rita, filha da Elis Regina e de Mariano, houve outra cantora Maria Rita, que lançou dois discos entre os anos 1980 e 1990 e, depois, desapareceu dos palcos. Sua voz está retornando agora, redescoberta por jovens DJs e colecionadores europeus e asiáticos.

Estamos falando de Maria Rita Stumpf --o sobrenome não aparecia quando a cantora gravou os álbuns "Brasileira" (1988) e "Mapa das Nuvens" (1993) e se apresentava ao lado de músicos como o maestro Luiz Eça (1936-1992), o multi-instrumentista Ricardo Bordini e do grupo Uakti.

Hoje item raríssimo no mercado de sebos do país (um exemplar chegou a ser vendido no Mercado Livre por R$ 2.000), o disco "Brasileira" está sendo relançado em formato digital e vinil (com prensagem alemã e remasterização britânica). O material estarà à venda em junho.

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A iniciativa é do selo Selva, nova empreitada da dupla de DJs que forma o núcleo Selvagem, conhecido por tocar músicas brasileiras esquecidas em festas disputadas em São Paulo e no Rio.

CÂNTICOS

Em seu apartamento em São Paulo, a gaúcha Stumpf, 58, conta que foi surpreendida pelo interesse recente.

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"Sinto uma mistura de surpresa com uma quase obviedade da vida, que me gerou um sentimento de gratidão. Estou muito contente que o trabalho que gerava tanto esforço e era ao mesmo tempo tão prazeroso tenha merecido reconhecimento e atenção, mesmo tantos anos depois."

Em suas 12 músicas, "Brasileira" passeia por cânticos brasileiros, percussões africanas e ritmos indígenas, embalados em uma concepção erudita --na qual se incluem dois poemas de Mario Quintana feitos canções.

Isso era 1988, época pré-internet, em que as cenas musicais brasileiras eram fortemente influenciadas pela geografia. E, nesse sentido, Maria Rita Stumpf sempre esteve deslocada --o que talvez explique a pouquíssima atenção que o LP recebeu.

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No Rio Grande do Sul, onde nasceu, recusava-se a seguir a tradição cancioneira dos pampas. Quando mudou-se para o Rio de Janeiro, nos anos 1980, encontrou uma cidade musicalmente comandada pelo samba e pela MPB mais tradicionalista.

"O Brasil, de uma forma geral, tinha olhos e ouvidos para a estética do sertão. E, no Rio, para a estética do samba", afirma. "Eu trabalhava em gravadora. Sabia como funcionava o esquema das rádios. Só tocava música de quem pagava. E, na época, o rádio mandava em tudo."

Como funcionária da gravadora Continental, Stumpf trabalhou com gente como Tim Maia e Luiz Melodia. Conseguiu gravar seus dois discos de maneira totalmente independente.

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Depois de 1993, decidiu dedicar-se apenas à produção de espetáculos --foi responsável, por exemplo, por vindas do bailarino russo Mikhail Baryshnikov ao Brasil.

Talvez Maria Rita Stumpf não precisasse ser redescoberta se, em 1989, ela tivesse recebido o troféu de "revelação feminina" do extinto Prêmio Sharp. Ela estava entre as três indicadas.

A vencedora foi uma certa Marisa Monte.

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