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Glass Animals, que toca no Lolla, gravou álbum no meio da floresta

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SILAS MARTÍ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Leopardos descansam sobre travesseiros de pelúcia." Versos como esses, que na voz do vocalista Dave Bayley parecem de veludo, dão pegada viscosa, felpuda, quase tátil ao som do Glass Animals, banda que se apresenta neste sábado, às 15h20, no festival Lollapalooza.

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E os clipes dessa banda de Oxford deixam ver o universo fantástico em que habitam -ou para onde viajam chapados- esses garotos que surgiram há três anos no cenário musical com um repertório mais do que psicodélico.

Drew McFarlane, o guitarrista, conta que o primeiro disco do grupo, "Zaba", foi todo gravado num chalé no meio da floresta, não tropical, mas nos cafundós do Reino Unido, onde, se não há os bichos exóticos que aparecem nos clipes, havia pelo menos os sintetizadores que transformam o pinga-pinga do orvalho numa apoteose sonora e úmida.

Talvez daí ele dizer que esse era um disco mais "calmo, atmosférico". Nos clipes, e desde o início eles vêm casando cada faixa com o que parecem ser cenas sucessivas de um filme nonsense, essa calma se traduz numa floresta escura cheia de lagartos, cobras e dançarinos contorcionistas, algo entre sonho e pesadelo.

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Ou um jeito de dizer que, no mundo desses tais animais de vidro, mesmo o delírio mais sedutor na superfície esconde um desencanto que não demora a vir à tona, a melancolia espessa que transforma a juventude atual em zumbis anestesiados pelo tédio de um mundo preso na bolha das redes sociais, em que cada dia é mais do mesmo.

No segundo disco, "How to Be a Human Being", esse escapismo calcado em metáforas dá lugar à vida real mesmo, como já diz o nome do single mais conhecido da banda "Life Itself", sobre o dia a dia zero glamour de um garoto desempregado, dependente da mãe e que passa o dia brincando no porão da casa da avó.

"Todo mundo conhece um garoto ou uma garota assim", diz McFarlane. "Existe também uma curiosidade nossa em relação à juventude atual."

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