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Escolas estaduais ficam sem verba para material e manutenção em SP

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REGIANE SOARES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Escolas estaduais da capital e do interior de São Paulo estão sem verba para fazer manutenção dos prédios e para comprar materiais de escritório, de limpeza e de higiene. Segundo professores e diretores, a grana não está sendo repassada pela Secretaria de Estado da Educação, do governo Geraldo Alckmin (PSDB), desde o fim do ano passado.

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Sem os materiais, professores têm feito vaquinha para comprar papel higiênico, papel sulfite, copos descartáveis e giz, entre outros materiais. E em dias de prova, estão pagando do próprio bolso as cópias das avaliações e depois cobrando dos alunos, que na maioria das vezes não pagam e deixam o professor no prejuízo.

O diretor Aldo José Martins afirma que a escola Ayrton Busch, em Bauru (329 km de São Paulo), ainda não recebeu a verba para a manutenção do prédio, de cerca de R$ 8.000 pagos em duas vezes ao ano, nem o repasse mensal de R$ 1,30 por aluno para materiais. "Essa é a nossa realidade. Os professores nos ajudam para comprar papel higiênico e café".

Segundo o presidente da Udemo (sindicato que reúne coordenadores e diretores de escolas estaduais), Francisco Poli, desde o ano passado os repasses estão irregulares.

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"Neste ano ainda não foi feito nenhum repasse. E a justificativa do governo é que houve diminuição na arrecadação de impostos", afirmou Poli, ao ressaltar que a situação atinge toda a rede.

A reportagem ouviu professores que, pedindo para não serem identificados, confirmaram que em quatro escolas da capital e em uma do ABC faltam materiais e manutenção nos prédios escolares. "Não tem papel higiênico nem para limpar o nariz. Todos os professores e alguns alunos têm que trazer de casa", disse um professor.

COMPUTADORES

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Além da falta de materiais e da manutenção das escolas, professores da rede estadual também enfrentam falta de infraestrutura.

Na Escola Estadual Erasmo Batista Silva de Almeida, em Diadema (ABC), os computadores estão antigos e desatualizados. Professores disseram que só há quatro ou cinco equipamentos estão funcionando, o que dificulta as aulas tanto para professores e alunos. "Não há manutenção. Essa realidade se arrasta desde o ano passado", disse um professor, que não se identificou.

Também em Diadema, a Escola Estadual Jorge Ferreira apresenta sinais de abandono. O teto de salas de aulas estão com infiltração de água, o portão está enferrujado, a fiação elétrica está exposta e parte da estrutura de ferro de uma das paredes está aparente.

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"É um absurdo crianças estarem estudando em um lugar que está largado", disse a mãe de um aluno que preferiu não se identificar.

A Secretaria de Estado da Educação disse que a escola Jorge Ferreira receberá R$ 15 mil para obra no telhado e laje, pintura do teto e revisão da parte elétrica. Disse ainda que a Erasmo Batista Silva de Almeida tem 15 computadores, 12 deles funcionando.

VERBA BLOQUEADA

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No fim de 2014, o governador Geraldo Alckmin já havia bloqueado as verbas que as escolas usam para comprar materiais de escritório e de limpeza e para pequenas obras. Na ocasião, os funcionários já relatavam falta de sulfite e papel higiênico nas escolas.

A Secretaria de Estado da Educação negou, na época, que a suspensão do programa era para cortar gastos. Disse que o motivo era o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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