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Carta Democrática Interamericana não é aplicável à Venezuela, diz Maduro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (21) que a Carta Democrática Interamericana não é aplicável a seu país, em mais um ataque do chavista ao secretário-geral da OEA, o uruguaio Luis Almagro.

"O documento não é aplicável à Venezuela. Estão buscando um conflito dentro da Venezuela e estamos tomando as medidas para preservar o direito que temos de continuar trabalhando", afirmou, em reunião de gabinete.

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A tensão entre os dois, que existe há quase um ano, escalou na última quarta (15) quando Almagro ameaçou desatar a votação para suspender a Venezuela caso o governo não marque eleições locais e liberte opositores em 30 dias.

O mandatário retomou sua teoria de que existe um plano de intervenção ao país, liderado pelos EUA. "O Departamento de Estado ativou todos seus embaixadores no mundo para que apoiem uma intervenção global", disse.

Ele acusou também o governo americano de pagar a dissidência venezuelana em Miami para formar um governo de "magnatas corruptos". "Tenho os dados, não vou revelar, mas eles sabem que eu tenho os dados."

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Para contrabalançar a influência americana, Maduro disse que ordenou sua Chancelaria a continuar a campanha contra a interferência e que teve conversas privadas com líderes latino-americanos sobre a suspensão do país da OEA.

"Falamos com vários governos dirigidos pela direita, falamos claro, mas se eles não entendem as razões podemos falar ainda mais claro. Ninguém vai vir para se meter nos assuntos da Venezuela, para fazer uma intervenção."

Ele convocou uma manifestação contra a suposta intervenção e a guerra econômica, como chama crise econômica e de desabastecimento, para o domingo (26), aniversário da libertação de Chávez após a tentativa de golpe de 1992.

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OEA

A declaração é feita um dia depois que Almagro recebeu na sede da OEA em Washington as mulheres dos opositores presos Leopoldo López, Lilian Tintori, e de Daniel Ceballos, Patricia Gutiérrez de Ceballos.

A sessão foi interrompida pela embaixadora venezuelana na OEA, que fez um protesto contra o chefe da organização e as adversárias de Nicolás Maduro, ao dizer que ele estava interferindo em assuntos internos do país.

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Nesta terça, o uruguaio voltou a dizer que o chavista é um ditador. "Um governo não pode julgar a si próprio e, sim, prestar contas ao povo. Todos dos venezuelanos precisam de justiça, igualdade e que sua voz seja ouvida."

Ele foi vaiado por um grupo de apoiadores do chavismo, com cartazes como "OEA e EUA, fora da Venezuela". Um deles criticou o uruguaio por não se pronunciar sobre a crise política no Brasil e os desaparecimentos no México.

"Deveria se envergonhar em dizer algo assim sem saber o que a organização fez nestes casos", disse, em relação às investigações abertas por ele sobre os casos brasileiro e mexicano. "É incrível que expresse sua opinião com tanta ignorância."

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Além da marcação da data das novas eleições regionais, que deveriam ter acontecido em dezembro, e da libertação de opositores presos, Almagro também exigiu uma reforma na Justiça e no órgão eleitoral, dominados pelo chavismo.

Para tanto, ele precisa do apoio de 23 dos 34 países-membros da OEA. Isso não foi possível em junho passado, quando 20 integrantes apoiavam a retirada venezuelana.

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