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Em encontro, Trump diz que grampo de Obama o une a Merkel

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MARCOS AUGUSTO GONÇALVES

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Após receber cinco líderes estrangeiros, num séquito inaugurado pela primeira-ministra britânica, Teresa May, o presidente dos EUA, Donald Trump, encontrou-se nesta sexta (17) em Washington com a chanceler alemã, Angela Merkel. Em entrevista coletiva, na Casa Branca, os dois não esconderam divergências, mas ressaltaram os pontos de união.

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Trump fez um gracejo para destacar as convergências: questionado sobre suas recentes declarações acerca de grampos telefônicos que teriam sido ordenados pelo ex-presidente Barack Obama, disse que ao menos nisso ele e a chanceler tinham "uma coisa em comum" -já que Merkel foi alvo de espionagem durante o governo democrata.

Merkel pareceu desconcertada com a resposta. Ela declarou estar contente com o encontro por ser melhor falar com o outro do que falar sobre o outro.

O presidente americano assegurou que seu governo apoia "fortemente" a Otan, a aliança militar ocidental, mas repetiu que os demais membros precisavam pagar de maneira mais justa e equilibrada.

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A líder alemã, por sua vez, reiterou sua política em relação a refugiados, criticada por seu colega, que a classificou de "desastrosa" durante a campanha eleitoral. A chanceler destacou também a importância da União Europeia e os esforços da Alemanha para combater a milícia do Estado Islâmico e buscar a paz.

Os dois deram atenção a temas econômicos -Merkel foi a Washington acompanhada por um grupo de empresários, entre os quais executivos da BMW e da Siemens, que operam nos EUA e empregam dezenas de milhares de americanos. Trump voltou a advogar pela ampliação de empregos industriais e insistiu na sua retórica de defesa dos interesses dos trabalhadores americanos.

Numa resposta à imprensa alemã, o presidente rejeitou a ideia de que seria um "isolacionista" em termos de comércio internacional. "Sou um defensor do livre comércio", disse, antes de criticar a desigualdade de tratamento em relação aos EUA que vê nas relações econômicas internacionais.

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A chanceler também fez uma breve regressão histórica, lembrando o papel fundamental dos EUA para reerguer a Europa após a Segunda Guerra e saudou o fato de os dois países serem hoje importantes aliados.

O presidente também foi questionado sobre as complicadas mudanças de seu projeto na área de saúde. Avaliou que logo o plano será votado e, mais uma vez, prognosticou o colapso o Obamacare, que chamou de "um desastre".

DIFERENÇAS

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A visita foi cercada de interesse não apenas por reunir os governantes dos dois principais países ocidentais, mas pelas diferenças e potenciais conflitos que os separam. O antagonismo político não poderia ter ficado mais claro na campanha de Trump, que saudou como "maravilhosa" a saída do Reino Unido da União Europeia; cultivou relações controversas com o líder russo, Vladimir Putin; classificou a OTAN de "obsoleta"; e opôs-se à política alemã de acolhimento de refugiados.

Também nos aspectos pessoais as diferenças entre os dois são marcantes. Primeira e única mulher a chefiar o governo alemão, Merkel, que procura se comportar de maneira equilibrada, viveu sob o comunismo soviético da antiga Alemanha Oriental, foi criada por um pastor luterano e obteve um doutorado em física. Trump, por sua vez, é o filho ambicioso de um empreendedor imobiliário, que saiu do bairro de Queens, em Nova York, para ganhar bilhões e conquistar Manhattan, a TV, os tabloides e o mundo das celebridades.

Bem mais experiente do que neófito republicano, a chanceler alemã está no poder desde 2005 e poderá ganhar seu quarto mandato neste ano. Dada a simpatia de Trump por lideranças populistas de direita e seus rasgos autoritários, o site americano "Politico" escolheu um título irônico para um de seus textos sobre a visita: "Líder do mundo livre encontra-se com Trump".

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