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ATUALIZADA - Roubo de carga sobe e gera perda bilionária

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Os casos de roubo de cargas no país quase dobraram nos últimos seis anos e provocaram, só em 2016, prejuízo estimado em R$ 1,4 bilhão.

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Os dados são de estudo divulgado nesta quinta (16) pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio), que pede medidas para conter a atividade criminosa e alerta para riscos de desabastecimento de produtos no Estado.

Segundo a entidade, foram 22.550 ocorrências no país em 2016. O estudo considera dados de 22 Estados e do Distrito Federal, já que não foi possível obter estatísticas de Acre, Amapá, Paraná e Roraima.

O número é 86% superior às 12.124 ocorrências registradas em 2011. Do total de casos, 84% foram registrados no Rio e em São Paulo. De acordo com os dados da Firjan, um caminhão é roubado a cada 23 minutos no país.

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No acumulado entre 2011 e 2016 foram registrados 97.786 roubos de carga no país, com prejuízo estimado em R$ 6,1 bilhões.

O crescimento da atividade coloca o Brasil como o oitavo mais perigoso para o transporte de cargas em lista de 57 países elaborada pela Joint Cargo Comitte (entidade que representa seguradoras), acima de regiões com conflitos, como o Paquistão, a Eritreia e o Sudão do Sul.

"O roubo de cargas não é um crime novo, mas vem crescendo de forma totalmente fora de controle", diz Eduardo Rebuzzi, presidente da Fetranscarga (Federação do Transporte de Cargas do Rio).

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Segundo especialistas, a atividade hoje está relacionada com o tráfico de drogas. "As organizações criminosas estão utilizando o roubo de cargas como uma maneira de financiar a compra de armas", diz Martha Rocha, ex-chefe da Polícia Civil do Rio e deputada estadual pelo PDT.

Em 2011, a quantidade de casos no Rio (3.073) era inferior à metade dos registrados em São Paulo (6.958). No ano passado, foi praticamente igual: 9.862 contra 9.943.

Com maior risco, as seguradoras têm cobrado taxas adicionais para apólices de cargas que chegam à região metropolitana do Rio, equivalentes a até 1% do valor da mercadoria e que têm impacto nos custos dos produtos.

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Por isso, diz a entidade, há produtores preferindo deslocar as cargas para outros mercados, principalmente nos ramos alimentício e de bebidas.

"O risco de desabastecimento é real. Tem algumas seguradoras que não fazem mais seguros para o Rio, e as poucas que fazem estão cobrando mais caro. Em alguns produtos, como alimentícios e de bebidas, vamos ter sérios problemas de desabastecimentos", diz o vice-presidente da Firjan, Sergio Duarte.

A entidade propôs nove medidas para combater o crime, como maiores penalidades para receptadores e revendedores de carga, fortalecimento das polícias e a proibição da venda de bloqueadores de sinais de rádio, usados pelos bandidos para driblar os rastreadores de veículos.

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O superintendente da PRF (Polícia Rodoviária Federal) no Rio, José Roberto Gonçalves de Lima Neto, disse que o efetivo da instituição está limitado. "Estamos no teto de nosso efetivo e não conseguimos, neste momento, montar operações especiais."

Representante do governo federal no evento da Firjan, o coronel Adilson Pereira de Carvalho, diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública, disse que o Ministério da Justiça tem um grupo de trabalho para diagnosticar o problema e propor ações de repressão.

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