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Vida de desempregada da vice é tema da 6ª temporada de 'Veep'

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FERNANDA EZABELLA, ENVIADA ESPECIAL

AUSTIN, EUA (FOLHAPRESS) - Enquanto a realidade política dos EUA se torna muito mais estranha que a ficção de "Veep", a nova e sexta temporada do seriado de comédia se afasta da Casa Branca, ainda que sem deixar o meio político de Washington. A estreia acontece em 16/4, no canal a cabo HBO, que reprisa episódios antigos a partir de 20/3, dois por dia, de segunda a sexta.

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O centro continua sendo a ambiciosa Selina Meyer, vivida por Julia Louis-Dreyfus, que recentemente recebeu seu quinto Emmy consecutivo pelo trabalho. Ela vive a vice-presidente dos EUA que vira presidente por um ano, mas acaba perdendo o cargo na recontagem dos votos da reeleição que domina a última temporada.

"Ela agora precisa de dinheiro. Precisa de trabalho", falou Julia num encontro com jornalistas no festival SXSW (South by Southwest), que acontece em Austin até este domingo (18). A mãe da personagem morreu e deixou a fortuna para a neta, causando uma saia justa para Selina. "Ela quer se manter relevante. É uma mulher egocêntrica e motivada, vai fazer de tudo para deixar um legado."

Livros, palestras e novos hobbies estão na pauta do dia. A equipe de escritores de "Veep" pesquisou ex-presidentes e entrevistou pessoas ligadas a George W. Bush e Bill Clinton, além de conversar com Mitt Romney, candidato republicano que perdeu a presidência para Barack Obama em 2012.

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"A ideia era entrar na cabeça e entender o que se passa quando estas pessoas deixam o cargo. Mitt chegou muito perto. E muito da nova temporada é sobre isto também: chegar tão perto e não ganhar. Como lidar?", disse o produtor executivo David Mandel.

Mandel comentou que a temporada estava escrita antes do resultado das eleições de 2016, mas fez pequenas mudanças em diálogos ou piadas devido à situação atual. Sobre as diferenças de escrever durante o governo Obama e o governo de Donald Trump, ele diz que ainda é cedo para saber. "Precisamos de mais distância, de perspectiva", disse.

"Mas acho que comédia, em geral, é uma ótima arma contra Trump porque ele não entende comédia e não percebe quando fazemos graça dele. Fatos podem não funcionar contra ele, mas talvez humor tenha mais impacto", comentou.

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Enquanto Selina deixa o Salão Oval, sua equipe também debanda, com exceção do eterno escudeiro Gary Walsh (Tony Hale), que segue como uma espécie de secretário. "O melhor de tudo é que agora ela tem mais tempo para Gary. Ele não precisa mais dividi-la com a América", diz Hale.

Dan Egan (Reid Scott), um dos braços de Selina na campanha de reeleição, é um dos primeiros a abandonar o barco e aceita um trabalho na rede de TV CBS News. "Tem sido muito divertido porque nos deu uma nova indústria inteira para satirizar", diz Reid. "As pessoas me perguntam se vamos pegar no pé da Hillary ou do Trump. E a decisão foi de fazer absolutamente nada disto. O público vai adorar."

Matt Walsh, que faz o atrapalhado porta-voz da Casa Branca Mike McLintock, não diz que carreira nova seu personagem vai seguir e afirma não ter simpatia alguma pelo porta-voz de Trump, Sean Spicer. "Quando líamos o roteiro, sempre alguém comentava: 'Mike não é assim tão estúpido', 'Como alguém pode ser assim?'", diz Matt. "Mas então, veio Spicer."

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