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'Estudo as matérias que me interessam', diz Martinho da Vila sobre fazer faculdade

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LEONARDO SANCHEZ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2015, o sambista Martinho da Vila decidiu que era hora de fazer uma faculdade e se inscreveu no curso de relações internacionais em uma universidade privada do Rio de Janeiro.

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Hoje, aos 79 anos, ele diz que mudou completamente sua rotina para manter os estudos. "Mudei minha forma de vida. Foi bom porque eu dormia e acordava muito tarde. Agora eu estudo na parte da manhã, não tenho mais horários malucos", afirmou à reportagem.

Algumas de suas aulas começam antes das 8h, o que obrigou o músico a ir para a cama mais cedo. "Eu dormia o mesmo que todo mundo, mas ia dormir às 3h, 4h e acordava às 12h."

Nesta sexta (10), uma foto do cantor em sala de aula foi publicada pelo jornal "Extra" e viralizou. Martinho achou curioso o fato de a imagem virar assunto agora. Segundo ele, foi porque algum colega de classe postou.

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Em geral, afirma, os colegas não o assediam. "Todo mundo é muito discreto, ninguém assedia. Tem um pessoal que é colado em mim, um paga café para o outro", se diverte o músico, que diz que os estudos não atrapalham sua carreira musical.

A idade dos colegas, na faixa de 20 anos, segundo Martinho, não foi problema para o entrosamento e a adaptação à nova rotina de estudos. "Eles [os outros alunos] gostam quando vou na casa deles para fazer trabalhos."

Mas ele conta que sua rotina é mais flexível do que a de outros estudantes. "Eu sou um aluno especial, porque estudo as matérias que me interessam", fala.

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Atraído pelas áreas de diplomacia e história, Martinho não faz provas, embora precise cumprir carga horária, ter frequência e fazer trabalhos.

MOTIVAÇÃO

Martinho, que já foi garoto-propaganda de uma universidade, diz que não voltou a estudar por causa da publicidade.

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A decisão de voltar à sala de aula, afirma, se deve a seu trabalho como Embaixador da Boa Vontade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), uma organização para a cooperação entre países lusófonos.

"Eu queria entender um pouco da teoria. Quando achar que já estou legal, eu paro. Mas se eu terminar o curso todo, eles me dão um certificado", afirma.

O músico ainda revelou que não tem intenção de entrar para o Ministério das Relações Exteriores, mas está gostando de aprender sobre diplomacia e o funcionamento das universidades.

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Para ele, um dos pontos altos de estar fazendo o curso é incentivar pessoas mais velhas que sempre quiseram fazer faculdade. "Isso é algo que gostei muito, porque estimulei várias pessoas."

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