ATUALIZADA - Polícia prende 14 suspeitos de integrar máfia chinesa
ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil realizou nesta quarta-feira (8) uma operação de combate à máfia chinesa que atua na região central de São Paulo.
Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão temporária na capital paulista e em cidades do litoral.
Das pessoas procuradas, 11 delas foram presas sob a suspeita de participarem de uma organização responsável por crimes de extorsão, sequestro e morte de três pessoas da comunidade. Outras três foram presas em flagrante por posse ilegal de armas.
As investigações do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) tiveram início há cerca de quatro meses, quando a diretora do departamento, Elisabete Sato, uniu investigações de três homicídios que estavam em duas delegacias diferentes.
A polícia apura o motivo das mortes. Uma das suspeitas é que parte delas tenha sido encomendada pelos chefes da máfia como forma de batismo ou ascensão de integrantes dentro do grupo. As vítimas seriam pessoas com dívidas com a máfia.
Durante as investigações, os policiais detectaram a rede de extorsão à comunidade chinesa --em especial aos comerciantes que mantêm boxes de venda de eletrônicos na região central. As vítimas eram obrigadas a pagar uma espécie de taxa de proteção para poderem atuar.
Com a ajuda do consulado chinês, a polícia conseguiu o relato de dez vítimas que pagavam até R$ 5.000 mensais para ter proteção do grupo. A expectativa dos policiais é a de que esse número possa superar uma centena de vítimas.
Os policiais estimam que mais de 300 mil chineses vivam em São Paulo.
Além dessa extorsão, a polícia descobriu ainda que o grupo participava de sequestro de chineses que desembarcavam no aeroporto de Guarulhos e exigiam somas em dinheiro para liberá-las.
Algumas colaborações do consulado chinês foram importantes para investigação. Uma delas ocorreu no convencimento das vítimas a reclamar do crime. A maioria não registrava queixa. Outra foi trazer um policial da China, que fala português, para ajudar nas investigações. Um policial brasileiro, que fala mandarim, também foi integrado à equipe da DHPP.
