ATUALIZADA - Professores e grupos feministas fazem ato contra nova Previdência em SP
PAULO SALDAÑA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Professores das redes estadual e municipal de São Paulo, estudantes e membros de movimentos feministas fazem uma manifestação, nesta quarta (8), Dia Internacional da Mulher, na região central da capital paulista. A oposição à reforma da Previdência proposta pelo governo Michel Temer é a principal bandeira dos movimentos.
A pista da Paulista no sentido Consolação foi tomada por manifestantes às 15h na altura da praça Oswaldo Cruz, local onde o Sinpeem e a Aprofem (sindicatos da rede municipal) fizeram a concentração antes da caminhada. Segundo as entidades, mais de 4.000 profissionais participam do ato.
"Quase 90% da categoria são mulheres, e elas serão a principal vítima da reforma da Previdência", diz Claudio Fonseca, presidente do Sinpeem. De acordo com ele, a maior preocupação com a reforma é o possível fim da aposentadoria especial do magistério, além do aumento na idade.
Fonseca lembra que o ato reforça também pautas da categoria no município. Entre as reivindicações, estão a confirmação por parte da gestão João Doria (PSDB) de reajustes garantidos pela gestão passada e melhorias na condições de trabalho ?como a diminuição no número de alunos por série.
O grupo se encontrou por volta das 16h30 com o ato dos professores ligados à Apeoesp (sindicato da rede estadual), que já se reuniam no vão livre do Masp, bloqueando os dois sentidos da Paulista. Segundo a Apeoesp, o número de manifestantes com os dois atos chegava a 20 mil.
A luta por reajuste salarial também mobiliza os professores da rede estadual. O governo Geraldo Alckmin (PSDB) não concede reajuste para professores desde 2014.
"Não queremos só rosas, mas queremos também melhores condições de trabalho", disse a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha. Em vários momentos, a os manifestantes gritaram "Fora, Alckmin".
Os professores municipais e estaduais seguiram em passeata pela av. Brigadeiro Luís Antônio, em direção à praça da Sé, onde se encontraram com a Marcha das Mulheres, que já estava no local. Juntos, os grupos devem seguir agora até a praça da República, também no centro.
PARALISAÇÃO
Os professores da rede municipal já decidiram entrar em greve a partir do do 15 de março, acompanhando a convocação da greve nacional da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). A greve é por tempo indeterminado, mas os rumos do movimento serão definidos em assembleia no dia 21.
A Apeoesp também aprovou greve para o dia 15. Neste dia vão discutir se haverá uma paralisação mais longa.
Sem reajuste, o sindicato tentou puxar uma greve no passado mas não houve adesão. "A manifestação desta quarta é o sinal de que teremos força para pressionar o governo pelos nossos direitos", diz a presidente da entidade, Maria Izabel Noronha.
O ato segue pela Paulista, totalmente fechada, com a participação de membros do movimento feminista e estudantes.
