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No Dia Internacional da Mulher, EUA têm protesto e greve

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, ESTADOS UNIDOS (FOLHAPRESS) - Na pizzaria Veloce, no centro de Washington, só havia homens atrás do balcão nesta quarta-feira (8). As três funcionárias do local aderiram à greve convocada pelas mesmas organizadoras da Marcha das Mulheres, de janeiro.

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A ideia de manifestação batizada de "Um Dia Sem Mulher", a exemplo do que ocorreu com o movimento "Um Dia Sem Imigrantes", em fevereiro, era que as mulheres, em todo o país, deixassem de trabalhar ou de exercer atividades não remuneradas neste Dia da Mulher como forma de "reconhecer o valor enorme que as mulheres de todas as origens somam ao nosso sistema socioeconômico".

Segundo o diretor-financeiro da Veloce, Mike Solsberry, a dona da rede de pizzarias, Ruth Gresser, "apoia a causa" e deu a opção para que as funcionárias ficassem em casa nesta quarta, recebendo pelo dia não trabalhado. Cerca de 75% das mulheres que trabalham nos quatro estabelecimentos da rede teriam optado por participar da greve.

"A gente fica meio sem braço, mas há funcionários mais compreensivos, que devem trabalhar um pouco a mais hoje", disse Solsberry. A pizzaria também só trabalhou com metade de seu cardápio nesta quarta.

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Em Washington, os estabelecimentos não chegaram a fechar, como no Dia Sem Imigrantes, mas alguns restaurantes ofereceram descontos para mulheres -o que, na verdade, acabou indo de encontro a uma das metas do movimento, de que as mulheres também não comprassem nada nesta quarta.

Mas nem todo o movimento de greve foi bem recebido. A decisão de fechar as escolas públicas na cidade de Alexandria, na Virginia, e do condado de Prince George, em Maryland, por causa da greve das funcionárias irritou os pais. No último caso, a informação só foi dada às famílias dos alunos na noite de terça-feira.

"Essa decisão de última hora é um desserviço a qualquer um que tenha pais que trabalham o dia inteiro. Também é um desserviço às mães que trabalham, e que agora serão obrigadas a ficar em casa com suas crianças", escreveu uma mãe na página do órgão responsável pelas escolas públicas de Alexandria numa rede social.

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PROTESTOS

Aproveitando a mobilização pelo Dia Sem Mulher, um grupo de cerca de 300 pessoas marchou por três quadras até a frente da Casa Branca, onde foi montado um palanque para discursos na hora do almoço.

Organizado pelo Centro para a Saúde e Igualdade de Gênero (Change, na sigla em inglês) e outros grupos de apoio aos direitos das mulheres, o protesto teve como principal foco a decisão de Trump de restaurar o impedimento ao financiamento de ONGs estrangeiras que promovam direito ao aborto. A política, instaurada por Ronald Reagan em 1984, foi banida por Bill Clinton assim que chegou ao poder, em 1993. George W. Bush a restaurou em seus primeiros dias, em 2001, e Barack Obama a cancelou novamente em 2009.

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"Nossa principal motivação é fazer com que as pessoas saibam que essa regra vai colocar a vida de mulheres em risco e que ela nos força a nos calar", diz Esther Vicente, presidente da seção da organização Planned Parenthood para as Américas.

A poucos metros do protesto, membros da Planned Parenthood, organização de planejamento familiar para a qual parlamentares republicanos têm buscado o corte de verbas federais, pediam doações.

Vestidas com roupas vermelhas -outro pedido feito pelas organizadoras do Dia Sem Mulher-, as amigas aposentadas Andrea, 66, e Barbara, 69, que não quiseram informar o sobrenome, disseram ter ido à manifestação por suas filhas e netas. "Trump é um total desastre. Veja o seu gabinete, todos os direitos que ele nos tirou", disse Barbara. "Se você não consegue ter direito a controlar o seu corpo, você não controla mais nada na sua vida", completou Andrea.

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Houve protestos em outras cidades do país, com destaque para Nova York, onde centenas de mulheres se concentraram em frente à Trump Tower.

No começo do dia, Trump afirmou, pelo Twitter, ter um "respeito tremendo pelas mulheres e pelos muitos papéis que elas desempenham que são vitais à construção da nossa sociedade e da nossa economia".

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