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Carcereiros são o mais importante na Venezuela, diz Aloysio Nunes

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CAMILA MATTOSO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O novo ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), criticou a Venezuela ao tomar posse nesta terça-feira (7). Ele também respondeu às declarações da chanceler do país vizinho feitas um dia antes.

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Na segunda (6), Delcy Rodríguez afirmou que o Brasil era "uma vergonha mundial" desde o impeachment de Dilma Rousseff e que todos os políticos estão envolvidos em algum escândalo "desde que deram esse golpe de Estado".

Em curta resposta após o evento no Palácio do Itamaraty, Nunes disse que o mais importante na Venezuela são os "carcereiros".

"Ela [chanceler] não tem muita importância. Nesse país dela [Venezuela], o mais importante são os carcereiros e não um ministro das Relações Exteriores", respondeu.

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Ainda sobre a Venezuela, o novo ministro fez críticas durante o discurso e falou em preocupação com a situação política daquele país.

"Não posso deixar de lembrar a preocupação, cada vez mais presente, com a escalada autoritária do governo venezuelano, que nos últimos anos esteve presente entre os grandes temas em debate", disse Nunes.

"Queremos uma Venezuela próspera e democrática, sem presos políticos e com respeito à independência dos poderes, um país irmão capaz de reencontrar o caminho do progresso para o bem da sua gente".

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Rodríguez rebateu as declarações em uma rede social: "O novo chanceler do Brasil começou seu mandato com o pé esquerdo, atacando a Venezuela. Enviarei a ele o ABC da Diplomacia. Ele deveria se espelhar em seu antecessor: que deixou o cargo por acusações de corrupção. Não é a diplomacia de que os povos precisam."

Aloysio Nunes Ferreira foi escolhido por Michel Temer (PMDB) para substituir o também tucano José Serra, que pediu para deixar o cargo no dia 22 de fevereiro, alegando problemas médicos.

Serra é citado por ex-executivos da Odebrecht nas delações premiadas assinadas com o Ministério Público. Aloysio foi citado na delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC.

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Em seu discurso de despedida, sem falar dos motivos de seu afastamento, Serra também comentou sobre a situação da Venezuela.

"Tomamos a difícil, mas necessária decisão de suspender a Venezuela dos trabalhos do Mercosul. Estamos ao lado do povo venezuelano, que tem vivido momentos difíceis. Nossa oferta de ajuda humanitária continua de pé", disse.

"Esperamos que a Venezuela retome o caminho da conciliação e da democracia, única forma de superar os graves desafios enfrentados".

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IMIGRAÇÃO

Aloysio Nunes também falou sobre a relação com outros países da América do Sul e disse que o Brasil continuará aberto para estrangeiros.

"E mais ainda, porque a nova Lei de Imigração, de minha iniciativa, que revoga dispositivos herdados do período autoritário, coloca o país na vanguarda do direito humanitário", discursou.

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Na sexta (3), o Conselho Nacional de Imigração autorizou a residência temporária de dois anos a cidadãos de países limítrofes que estão fora do Acordo de Residência do Mercosul, beneficiando principalmente venezuelanos.

Mais cedo, ao tomar posse no Palácio do Planalto, o novo ministro deu entrevista na qual afirmou que pretende elevar o volume de exportações do Brasil, com uma inserção maior do país nos mercados internacionais.

Segundo ele, é necessário "vender melhor o país" e mostrar que ele é uma "grande potência agrícola, que zela pelo meio ambiente".

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"E um país democrático que tem instituições sólidas. Isso, no mundo de hoje, é um fator de atração de investimentos."

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