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ATUALIZADA - Protesto contra teto de gasto na USP termina em confusão com a polícia

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FERNANDA PEREIRA NEVES, PAULO SALDAÑA E SIDNEY GONÇALVES DO CARMO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um protesto de estudantes e funcionários da USP (Universidade de São Paulo), que ocorria na frente da reitoria, terminou em confusão com a Polícia Militar na tarde desta terça-feira (7). Segundo os manifestantes, ao menos uma pessoa ficou ferida e três foram detidas.

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A manifestação começou por volta do meio-dia contra a reunião do Conselho Universitário, que começaria às 14h para discutir, entre outras propostas, a criação de um teto de gastos com salários de funcionários.

Segundo Magno Carvalho, diretor do Sintusp (sindicato dos funcionários da USP), a confusão começou por volta das 15h30, quando policiais militares começaram a dispersar o grupo com bombas de efeito moral. "Foi uma chuva de bomba, mais de uma hora de bomba de gás, correria, gente sendo pisada", afirmou ele.

A assessoria da PM afirmou que respondeu com bombas depois de manifestantes terem jogado objetos contra os homens da corporação. O DCE (Diretório Central dos Estudantes) divulgou em sua página no Facebook um vídeo mostrando a ação da PM e a correria dos manifestantes.

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Segundo manifestantes, foram detidos um representante do Ceupes (Centro Universitário de Pesquisas e Estudos Sociais) e dois estudantes foram detidos. Uma estudante foi ferida na cabeça e levada para o HU (Hospital Universitário). Representantes do sindicato dos funcionários buscavam, no final da tarde, informações sobre a delegacia onde estavam os detidos.

Professores, funcionários e alunos reforçam que a polícia atacou a manifestação sem motivo. "A manifestação estava em frente à cerca do prédio da reitoria, absolutamente pacífica. Um grupo da tropa de choque parou a uns 20 metros e o pessoal continuava conversando. Discretamente começaram a tirar os cassetetes, e de repente começaram a atirar bombas. Bateram em alunos. Não teve pedra, provocação", disse o professor Ciro Correa, ex-presidente da Adusp (sindicato dos professores da USP).

"Seria injusto dizer que a polícia reagiu", disse outra professora. José Sérgio Fonseca de carvalho, representante da faculdade de Educação no Conselho Universitário, deixou a reunião antes do fim. Ele não aceitou que o órgão prosseguisse a discussão apesar da violência.

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"Cheguei aqui pouco antes das 14h, ninguém me impediu que eu entrasse [para a reunião]. Recebi ordem que teria de esperar. Presenciei alunos da universidade sendo chutados pela PM", diz. "É um teatro do absurdo discutir as finanças da universidade com o que está acontecendo aqui. Quem tem que dar exemplo somos nós, não é facultado chamar a polícia, que promove a violência, e não saber o que vai acontecer".

O professor chegou a se emocionar ao falar das cenas. "Assisti a um policial chutando um aluno na cabeça. Um conselho universitário não pode ignorar isso", completou.

Calouros do curso ciências sociais afirmaram que a polícia tentou romper o cordão e, logo em seguida, veio a tropa de choque, aplicando bomba de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e bala de borracha. "A manifestação era normal, pacífica, mas a polícia chegou com truculência", disse um dos estudantes.

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"Não é uma votação democrática. Nenhum estudante queria a votação e a única forma que ele [o reitor Marco Antonio Zago] achou foi trazer a tropa de choque. É o único diálogo que ele consegue sempre."

A reunião do conselho começou após a confusão, por volta das 17h, para discutir, entre outras, a proposta que impõe um teto de gastos com salários de funcionários e congela reajustes e contratações quando o comprometimento com a folha de pagamento superar 80% das verbas recebidas do Estado.

O gasto com pessoal é maior do que o orçamento da instituição desde 2014. No ano passado, a folha de pagamento representou 104,95% dos repasses e, para este ano, a previsão é de 96,5%. A USP é financiada por uma parcela fixa de 5,0295% do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

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Pelo novo plano, o teto de 80% de gasto com a folha de pagamento passa a valer em cinco anos. Até lá, os parâmetros impõem limites a reajuste e novas contratações. Se aprovado, a USP deverá, a cada ano, tomar medidas que reduzam em cinco pontos percentuais a proporção da despesa com pessoal.

Qualquer reajuste no período deverá acompanhar a evolução dos repasses do ICMS. Como esses valores tiveram queda em 2015 e 2016, por exemplo, o aumento salarial de 3% concedido no ano passado não poderia ocorrer.

PREOCUPAÇÃO

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As entidades sindicais que representam os funcionários mostraram preocupação com a proposta. Carvalho já havia dito que nenhum ponto foi discutido com antecedência com algum representante da categoria.

"Ficamos perplexos com esse documento, que aponta mais demissões e representa o desmonte da universidade", diz ele. "Com essa projeção, não vai ter condições de tocar a universidade."

No ano passado, funcionários e professores entraram em greve exigindo reajuste de 12,34%. A universidade concedeu 3%.

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A direção da Adusp (Associação dos Docentes da USP) já acionou seu departamento jurídico para analisar a proposta da reitoria. "É mais um reflexo da política do reitor [Marco Antonio] Zago de fazer pressão sobre a mão de obra da universidade e não em cima do Estado, para que haja mais verba para a universidade", diz Adriana Tufaile, diretora da Adusp.

"A crise da USP é de financiamento. A universidade cresceu nos últimos anos e o porcentual do ICMS continuou o mesmo", completa ela, que também fala em desmonte da universidade.

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