Republicanos pressionam secretário de Justiça após contatos com Moscou
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polêmica sobre os contatos do secretário de Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, com a Rússia começou a ganhar contornos bipartidários nesta quinta-feira (2), com dois congressistas proeminentes do Partido Republicano pedindo que ele se afaste das investigações sobre o assunto.
Na véspera, membros do Partido Democrata já vinham pedindo a renúncia de Sessions, após o Departamento de Justiça apontar que ele havia se encontrado duas vezes com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, durante a campanha eleitoral do ano passado.
A revelação parece contradizer declarações feitas por Sessions durante a sabatina no Senado sobre a aprovação de seu nome para integrar o gabinete do presidente Donald Trump.
O deputado republicano Kevin McCarthy, líder da maioria na Câmara, disse nesta quinta à emissora MSNBC que o Sessions deve "esclarecer" suas declarações e se afastar de investigações do departamento de Justiça sobre temas relacionados à Rússia.
"Eu penso -[em nome da] confiança do povo americano- que você deve se afastar dessas situações", disse McCarthy. "Para que qualquer investigação prosiga, você quer que todos confiem na investigação."
Já o deputado republicano Jason Chaffetz, chefe da Comissão de Fiscalização da Câmara, disse no Twitter que "o secretário Sessions deve esclarecer seu depoimento [dado ao Senado] e se afastar [das investigações]".
A líder democrata na Câmara, Nanci Pelosi, disse que "Sessions não é adequado para exercer o principal cargo de cumprimento de lei do nosso país e deve renunciar". "Deve haver uma comissão externa, independente e bipartidária para investigar as conexões políticas, pessoais e financeiras de Trump com os russos."
A pasta que Sessions dirige é a responsável por administrar o FBI (a polícia federal dos EUA), que conduz a investigação sobre o elo da equipe eleitoral de Trump com Moscou.
Sessions não é o primeiro membro do alto escalão do governo Trump a se ver em polêmicas envolvendo a Rússia.
Há duas semanas, o general Michael Flynn renunciou ao cargo de conselheiro de Segurança Nacional após a revelação de que ele havia conversado com o embaixador Kislyak em dezembro -antes da posse de Trump, ocorrida em 20 de janeiro- sobre sanções aplicadas contra o país pela administração Barack Obama. Já o secretário de Estado, Rex Tillerson, tinha relações com autoridades e empresários do país enquanto chefiava a petroleira ExxonMobil.
Trump chegou à Casa Branca com promessa de reorientar a política externa dos Estados Unidos no sentido de aproximar-se de Moscou, após o período de maior tensão bilateral desde a Guerra Fria.
No ano passado, os serviços de inteligência americanos concluíram que o Kremlin interferiu na eleição presidencial em benefício de Trump, por meio de ciberataques contra alvos do Partido democrata.
