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Fillon será denunciado por corrupção na França, mas mantém campanha

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DIOGO BERCITO

ROMA, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - O conservador François Fillon, candidato à Presidência francesa pelo partido Republicanos, disse na quarta-feira (1º) que será acusado formalmente em 15 de março.

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Ele é suspeito de ter contratado a mulher, Penelope, para o cargo de assistente parlamentar, que ela nunca exerceu. A denúncia terá impacto no pleito deste ano, provavelmente beneficiando a candidata de extrema direita, Marine Le Pen.

Fillon falou à imprensa após grande ansiedade durante a manhã em relação às suas declarações. Havia a chance de que ele desistisse da candidatura, o que não fez. "Não vou ceder, não vou me render, não vou me retirar", disse.

A mulher de Fillon, Penelope, havia sido detida mais cedo para interrogatório, segundo a imprensa local.

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Há suspeitas de que Penelope recebeu ao menos R$ 2,2 milhões durante 15 anos para o cargo de assistente parlamentar de Fillon sem ter de fato trabalhado. Esse caso passou a ser conhecido como o "Penelopegate".

Em meio às investigações, Fillon cancelou sua participação em um importante evento de sua campanha.

A ausência do conservador na feira anual de agricultura em Paris, vista como parada obrigatória aos candidatos para ganhar o voto rural, foi entendida por analista franceses como uma indicação da seriedade do caso.

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Fillon nega as acusações de que Penelope não tenha exercido o cargo, mas admite que ter contratado a mulher como assistente parlamentar foi um erro de julgamento.

A contratação de familiares não é, em si, ilegal na França, mas é necessário cumprir com a função.

REVIRAVOLTA

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O conservador Fillon, 62, era um favorito à Presidência francesa, mas sua popularidade foi prejudicada pela denúncia de corrupção, surgida em 25 de janeiro.

A reviravolta tem um quê de ironia, pois Fillon era até então visto como um político honesto. Essa fama lhe ajudou a garantir, no ano passado, a nomeação como o candidato da sigla Republicanos, derrotando o ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Sua queda beneficia a ultra-direitista Marine Le Pen, da sigla Frente Nacional. Ela por enquanto lidera as pesquisas ao primeiro turno, mas perderia na segunda rodada. As eleições serão realizadas em 23 de abril, com um desempate em 7 de maio.

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Le Pen, cuja campanha é marcada pela xenofobia e pela aversão à população muçulmana, teria 25% dos votos no primeiro turno, contra os 24% do centrista independente Emmanuel Macron e os 20,5% de Fillon, segundo uma sondagem de voto divulgada na terça (28).

GUARDA-COSTAS

A ultra-direitista Le Pen também enfrenta denúncias de corrupção. Mas, ao contrário de seu rival Fillon, sua popularidade não parece ter sido prejudicada por ora.

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Ela rebate as acusações de que pagou seu guarda-costas como se fosse um assistente parlamentar, afirmando que as denúncias são manobras políticas do "establishment".

A ideia convence seu eleitorado, afim àquele que elegeu Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em novembro de 2016.

O temor entre a liderança europeia é de que uma eventual eleição de Le Pen aprofunde a crise na União Europeia. O Reino Unido decidiu, em junho, deixar o bloco econômico. Le Pen é uma crítica da integração regional.

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