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Trump cogita poupar imigrantes ilegais sem registro de crime grave

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Horas antes de discursar em uma sessão conjunta do Congresso na noite desta terça-feira (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse estar disposto a propor um plano que permita a imigrantes ilegais que não cometeram crimes graves ficar no país.

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"O momento é apropriado para uma lei de imigração desde que haja compromisso dos dois lados", teria dito Trump num encontro fechado com âncoras de TV na Casa Branca, segundo funcionários presentes à conversa.

A decisão seria uma mudança radical na forma como Trump tem tratado o tema desde o início de seu governo. Na última semana, novas regras do Departamento de Segurança Doméstica colocaram como prioridade de deportação imigrantes ilegais que tenham cometido qualquer tipo de crime, inclusive infrações de trânsito.

Se a proposta se confirmar, milhões de imigrantes seriam beneficiados. Dos 11 milhões de estrangeiros irregulares nos EUA, estima-se que apenas 820.000 foram condenados por algum crime. E, dentro dessa fatia, só cerca de 300.000 cometeram algum crime grave, como homicídio ou estupro.

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Segundo um funcionário da Casa Branca, a ideia não é facilitar o caminho para que os imigrantes obtenham cidadania americana, mas que possam ter emprego e pagar impostos, sem o temor de serem deportados.

O tema poderia entrar no discurso de Trump, que não havia começado até a conclusão desta edição.

Um projeto de lei nesses termos agradaria a "extrema direita" e a "extrema esquerda", disse um funcionário, num momento em que o país está bastante dividido.

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Em entrevista à Fox News na manhã desta terça (28), Trump disse que seu foco seria pegar "os [imigrantes] maus, as pessoas más, as gangues, os traficantes, em alguns casos assassinos". "Eu sou muito mais duro em relação aos caras maus", disse, afirmando que o ex-presidente Barack Obama "era muito menos preocupado com isso".

No Congresso, Trump já enfrenta resistência à proposta de orçamento apresentada na segunda (27), às vésperas de sua fala no Capitólio, e que precisa de aval parlamentar.

ORÇAMENTO

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A ideia de Trump de aumentar em US$ 54 bilhões os gastos militares às custas de cortes em órgãos como o Departamento de Estado foi questionada inclusive por parlamentares republicanos.

Segundo a imprensa americana, Trump pretende reduzir 37% do orçamento do Departamento de Estado e da Usaid (agência para o desenvolvimento internacional), hoje em cerca de US$ 50 bilhões. Segundo o site Politico, está previsto ainda um corte de cerca de 25% no orçamento da Agência de Proteção Ambiental.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, já disse que a Casa "provavelmente" não aceitará um corte tão dramático no Departamento de Estado. "Para mim, a porção da diplomacia no orçamento é muito importante, e você tem resultados, frequentemente, de uma forma muito mais barata do que pelo lado da defesa", afirmou.

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O senador republicano pela Carolina do Sul Lindsey Graham disse que o orçamento de Trump "já morreu". "Um orçamento magro assim coloca os funcionários do Departamento de Estado no exterior em risco."

O também senador republicano Marco Rubio, da Flórida, disse que "ajuda externa não é caridade". "Temos que garantir que seja bem gasta, mas ela representa menos de 1% do orçamento e é crítica à nossa segurança."

A proposta de aumentar o orçamento do Pentágono em detrimento do Departamento de Estado recebeu críticas de mais de 120 generais reformados, que enviaram uma carta ao Congresso.

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"Sabemos, a partir da experiência em campo, que muitas das crises que a nação enfrenta não têm solução apenas militar", dizem os signatários, entre eles o ex-diretor da CIA David Petraeus, o ex-enviado para a coalizão anti-Estado Islâmico John Allen e o ex-chefe das Forças Armadas George Casey.

Para o líder da maioria republicana na Câmara, Paul Ryan, o problema do orçamento de Trump é poupar programas como o Medicare (programa público de saúde a maiores de 65 anos) e a Seguridade Social dos cortes.

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