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Presidente do Peru é o primeiro da América Latina a se reunir com Trump

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - No primeiro encontro de um presidente latino-americano com Donald Trump, o peruano Pedro Pablo Kuczynski disse ao americano nesta sexta-feira (24) que prefere "pontes a muros".

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Ele se referia ao muro que o governo dos Estados Unidos pretende construir na fronteira com o México.

Kuczynski afirmou estar interessado na livre circulação legal de pessoas. Segundo ele, a conversa com Trump na Casa Branca foi "cordial e construtiva" e foram discutidos "temas de interesse comum, como comércio, imigração, problemas na América Latina e a possibilidade de uma relação muito boa com os EUA".

Pouco antes do encontro, Trump havia dito que o "Peru tem sido um vizinho fantástico". Em declaração logo após a reunião, que durou cerca de dez minutos, o americano disse que a crise na Venezuela também foi discutida com Kuczynski. "Temos um problema com a Venezuela, que está indo muito mal."

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Segundo Kuczynski, eles discutiram rapidamente a questão envolvendo a extradição do ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que se encontra nos EUA.

Considerado foragido pela Justiça do Peru, ele é acusado de ter recebido US$ 20 milhões em propina da empreiteira brasileira Odebrecht.

Kuczynski largou na frente em relação a seus colegas latino-americanos. Dias após tomar posse, em janeiro, o presidente dos EUA se reuniria com Enrique Peña Nieto, do México -eles já haviam se encontrado em agosto, quando Trump ainda era candidato.

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Peña Nieto, porém, cancelou a visita a Washington em meio à polêmica sobre o muro na fronteira.

O argentino Mauricio Macri foi convidado por Trump para ir a Washington em maio. Há expectativa, ainda, que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, também se encontre com o americano nos próximos meses.

BRASIL

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Na última semana, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, negou que o Brasil estivesse sendo preterido diante dos outros países, cujos líderes conversaram com o presidente por telefone, enquanto Michel Temer teve como interlocutor o vice, Mike Pence.

Segundo Spicer, Temer e Trump não se falaram depois da posse por questão de "agenda". A única conversa entre os dois foi em dezembro.

Segundo a Folha apurou, o governo brasileiro estaria esperando até que o governo Trump esteja mais bem instalado para falar sobre eventuais encontros ou visitas. Há pouco mais de um mês no poder, ele ainda tem se voltado muito para temas internos e precisa completar sua equipe em diversos escalões.

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O ex-chanceler José Serra, no entanto, conversou com o secretário de Estado, Rex Tillerson, em reunião do G20, na semana passada, e ouviu um pedido para o Brasil coordenar esforços contra a crise na Venezuela.

Para Matias Spektor, professor da FGV e colunista da Folha de S.Paulo, ainda é cedo para fazer uma avaliação sobre uma possível preferência do governo Trump na região.

"O Temer falou com o Trump, em seguida à eleição do Trump e foi um telefonema muito positivo, em que eles combinaram que as equipes se encontrariam em fevereiro para decidir uma agenda", lembra o professor.

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