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Osesp traduz capacidade imaginativa de Villa-Lobos

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SIDNEY MOLINA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Faltavam 10 minutos para o concerto começar (às 19h30, mais cedo do que de costume) e a fila da bilheteria do estacionamento era tão longa que chegava a fechar a passagem das escadas que dão acesso à Sala São Paulo.

A preços populares (R$15), o programa que atraiu tanta gente não apelava para nada aquém ou além da própria música clássica: era só a Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), depois das férias, tocando Villa-Lobos com regência de Isaac Karabtchevsky.

Ao lado do público mais assíduo, jovens com cabelos coloridos, crianças e famílias -cada qual vestido como gosta.

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A obra que foi apresentada não é conhecida nem mesmo dos aficionados: "Ascensão", a "Segunda Sinfonia" do compositor carioca. Durou quase uma hora sem intervalo. Foi calorosamente aplaudida.

A escolha da "Sinfonia n.2" para este programa está diretamente conectada com a gravação do ciclo integral das 11 sinfonias de Villa-Lobos (1887-1959), para o selo Naxos, que a Osesp e Karabtchevsky iniciaram em 2011.

Já foram lançados 4 CDs, e aguarda-se para junho próximo o álbum com as sinfonias n.8, n.9 e n.11. O sexto e último disco, que fechará a travessia, terá justamente as duas primeiras sinfonias.

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O projeto é fundamental para uma maior internacionalização da obra de Villa-Lobos, e as gravações da Osesp têm tudo para se tornarem referenciais -até porque passam pelo crivo de uma revisão musicológica rigorosa (que inclui a correção de erros de edição) a cargo do próprio Karabtchevsky e de Antonio Carlos Neves Pinto.

Em Villa-Lobos muitas vezes há uma confusão com as datas de composição das obras. Isso se dá porque ocorre frequentemente um grande hiato entre a suposta data de composição e a estreia efetiva da obra, o que permite supor que algumas peças tenham sido revisadas pelo autor ou até mesmo escritas, em sua maior parte, em data posterior à da concepção inicial que consta no catálogo.

São exemplos disso "Uirapuru" (composição em 1917, estreia em 1935), "Choros n.6" (data de catálogo: 1926; estreia: 1942) e a própria "Sinfonia n.2" (concebida em 1917, estreada somente em 1944).

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Há vários elementos orquestrais e texturais na "Ascensão" que remetem à época das "Bachianas Brasileiras" (1930-45), o que dá força ao argumento de que a obra seja mais tardia.

A capacidade imaginativa de Vila-Lobos é invariavelmente surpreendente. E também a sua densidade, uma quase prolixidade orquestral que somente agora parece encontrar a equalização correta.

Estão lá (desde o início) os solos nostálgicos de trombone -que parecem vir da periferia de uma cidade longínqua-, e também as figurações sinuosas e difíceis de afinar das cordas, subindo e descendo dos registros extremos.

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Tudo foi tocado com concentração, afinação e técnica primorosas. As madeiras merecem destaque pelo brilho dos solos, os metais pelo controle sonoro.

A única gravação integral disponível das sinfonias de Villa-Lobos é da Orquestra da Rádio de Stuttgart, com regência de Carl St. Clair. A versão da "Sinfonia n.2" (de 1998) é boa, mas a performance ao vivo da Osesp na quinta-feira (23/2) foi superior.

Karabtchevsky, 82, tem energia e sabedoria na medida. Extrai expressividade onde seria normal apenas conciliar tempos e entradas, e nunca desconecta os detalhes da ampla visão do conjunto. É um verdadeiro condutor, rege como se -em tempo real- cuidasse carinhosamente da nossa escuta.

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Uma orquestra tocando instala um mundo, que se abre para nós. Como escreveu Vladimir Safatle em artigo na Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (24), a arte "pode expressar a insistência em um mundo outro, em uma forma outra de sensibilidade, não submetida à descrição de função e lugar específicos". Uma sala de concertos pode ser (também) um lugar "do que não tem lugar".

ISAAC KARABTCHEVSKY REGE VILLA-LOBOS

QUANDO: sexta (24) às 19h30

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ONDE: Sala São Paulo, Praça Júlio Prestes, 16, tel. (11) 3367-9500

QUANTO: ingressos esgotados

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