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Mostra em museu do Rio questiona fronteiras entre arte e loucura

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NAIEF HADDAD, ENVIADO ESPECIAL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Ao deixar a exposição "Lugares do Delírio", no MAR (Museu de Arte do Rio), o visitante muito provavelmente terá questões para levar a tiracolo pelas ruas do centro da cidade.

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O quanto há de delírio na arte? Como delimitar as fronteiras entre arte e loucura?

Não espere respostas simples. É o que nos dizem, por meio de suas obras, o sergipano Arthur Bispo do Rosário (1911-1989) e o carioca Cildo Meirelles, 69, dois dos principais nomes da mostra recém-aberta.

Criado em 1976 e agora remontado, o trabalho "Razão/Loucura", de Cildo, é uma "espécie de definição poética da exposição", de acordo com a curadora Tania Rivera, psicanalista e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF).

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Nesta obra logo no início da primeira sala, Cildo tenciona ao máximo duas varas de bambu, formando arcos, e liga as extremidades com correntes de metal, que levam pequenas inscrições.

Parece, à primeira vista, uma construção banal, impressão que cai por terra após segundos de uma observação mais atenta.

Ao fim da exposição, o artista reaparece com o ensaio fotográfico "Cottolengo", também de 1976. Pouco conhecida, é uma série formada por 42 imagens de pacientes do hospital Vila de São José Bento Cottolengo, em Goiás.

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Tanto lá quanto cá, Cildo se lança à reflexão sobre a insanidade e o modo como ela é tratada no Brasil.

Já Bispo do Rosário criava de outro modo. Era impelido por uma necessidade urgente de expressão. Construía seus trabalhos sob exigência de vozes que ouvia.

Ao longo de cerca de cinco décadas em que esteve internado em instituições psiquiátricas, criou mais de mil peças. Essa profusão impôs-se como desafio para a curadora: entre os trabalhos de Bispo do Rosário, qual recorte deveria escolher?

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Uma das motivações dela veio de "Navio dos Loucos", pintura de Bosch em que homens insanos são abandonados ao mar, como ocorria na Idade Média.

Tania decidiu, portanto, representar o ex-marinheiro Bispo do Rosário por meio dos seus barcos, com mastros, botes salva-vidas e bandeirolas feitos com materiais rudimentares.

Das mais de 150 obras da exposição, 11 são de Bispo do Rosário, entre as quais "Vinte e Um Veleiros" é especialmente engenhosa.

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O museu também reúne trabalhos de impacto de outros pacientes psiquiátricos. São os casos de Fernando Diniz (1918-1999), de alguma notoriedade no circuito das artes, e Natalia Leite e João Jordão da Silva, que merecem alcançar maior projeção.

"O delírio vai muito além do campo restrito do sofrimento psíquico", afirma a curadora. "Também falamos em delírio para tratar o excesso, o desregramento."

Nesse sentido, destacam-se "Novos Costumes", peças em vinil de Laura Lima, que provocam efeitos inusitados ao serem "vestidas". E ainda "Homem-Vegetal", impressões sobre papel de Wlademir Dias-Pino.

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RIVANE

Na terça (21), o MAR abriu ao público outra exposição, "O Nome do Medo", da artista mineira Rivane Neuenschwander, em colaboração com o estilista Guto Carvalhoneto.

Com curadoria de Lisette Lagnado, a mostra reúne 32 peças criadas a partir de oficinas com crianças de escolas públicas e particulares.

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Um dos nomes centrais da arte contemporânea brasileira, Rivane já expôs nas Bienais de São Paulo e de Veneza e no New Museum, em Nova York.

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