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'Logan' rompe barreira do homem infantilizado e alcança outros públicos

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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Apresentado na sexta (17) no Festival de Berlim, "Logan" talvez seja o melhor filme de super-herói já feito. Ao menos, para quem tem o estômago embrulhado cada vez que a Marvel anuncia mais um "Homem-Aranha" ou que a DC Comics insiste que não é ridículo ter um Superman voando por aí de capa vermelha.

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As convenções do gênero estão lá: o herói quase indestrutível (no caso, Wolverine, em seu terceiro filme solo), os vilões sem caráter algum e a ação praticamente incessante. Mas o mérito de "Logan" é não supor que seu público se resume a homens infantilizados.

O próprio diretor, James Mangold, diz que não quis um filme para crianças. "Tem linguagem chula, violência. Não é para elas", disse na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição do longa, na capital alemã.

Passado num futuro próximo, "Logan" retoma os personagens da franquia "X-Men".

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No tempo do filme, os mutantes são esparsos: Wolverine (interpretado mais uma vez por Hugh Jackman) ganha uns trocados como motorista de limusine na fronteira Estados Unidos-México e cuida de seu mentor, professor Xavier (Patrick Stewart). O surgimento de uma garota com poderes especiais, Laura (Dafne Keen), forçará ambos a sair da toca.

"Logan" tem ares de um sangrento "road movie": as garras de adamantium de Wolverine decepam dezenas de capangas que cruzam sua estrada. Com Wolverine tendo que defender tanto o debilitado Xavier quanto a (não tão) indefesa Laura, o filme abre brecha para discutir os dilemas da paternidade no herói de garras.

"Esse personagem está comigo há 17 anos", disse Jackman, que o personificou pela primeira vez com "X-Men" (2000). "Mas foi com esse filme que pela primeira vez eu o senti. É o filme que o define", afirmou aos jornalistas.

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Patinho feio dentro de um festival como o de Berlim, que exibe o que julga ser o suprassumo do cinema autoral no mundo, "Logan" foi escolhido para integrar a mostra porque os organizadores queriam dar mais espaço ao cinema de gênero, segundo o diretor do evento, Dieter Kosslick.

"É importante que as franquias façam muito mais do que filmes para se vender bonecos ou camisetas. Elas têm de usar essa plataforma do longa de super-herói, mas para fazer reflexões", disse Mangold, que veio de um cinema calcado nas atuações (são dele os oscarizados "Johnny & June" e "Garota, Interrompida").

Quieto durante a maior parte da coletiva de imprensa, o ator inglês Patrick Stewart limitou-se a criticar o referendo do "brexit".

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"Sinto vergonha pelo meu país. Aquilo foi um erro calamitoso", disse ele, que confundiu as palavras "brexit" e "breakfast" (café da manhã). "É que foi um café da manhã difícil de digerir", brincou.

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