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Totens em presídios vão ajudar preso a acompanhar o próprio processo

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LETÍCIA CASADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A DPU (Defensoria Pública da União) finaliza um projeto para a implementação de totens nas penitenciárias para que os presos possam acompanhar o andamento de seus processos e saber, por exemplo, quando têm direito à progressão de regime.

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A ideia é instalar o primeiro equipamento ainda neste semestre no presídio federal de Porto Velho. Se o projeto der certo, pode ser uma das saídas para tentar reduzir a superlotação dos presídios.

"É como se fosse um terminal de autoatendimento. O preso quer ter o controle de seu processo, de seus prazos de execução penal. E como isso não pode estar disponível o tempo para eles, a saída encontrada foi informatizar e colocar totens dentro das penitenciárias", diz Carlos Eduardo Paz, defensor público-geral federal.

Ele atua na área desde 2006 e tomou posse na DPU em 20 de julho de 2016. A defensoria presta orientação jurídica gratuita, principalmente para detentos de baixa renda.

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"Isso diminuiria uma demanda do detento que precisa de um juiz, de um promotor ou de um defensor naquele local. Ele precisa saber há quanto tempo está preso e quando tem direito à progressão de regime. E eu, como defensor, preciso saber se alguma demanda surge do cárcere, como a necessidade de atendimento médico. Essa demanda sai do totem e vai direto para caixa de mensagens do defensor da execução criminal", afirma.

Segundo ele, a falta de informação "é um fator de insuflamento da massa carcerária" e permitir ao preso acompanhar seu processo pode, portanto, ajudar a evitar rebeliões.

"Nem todo preso sabe ler e nem conhece os termos jurídicos. Então, fizemos uma alteração para ter algum tipo de desenho, ser mais intuitivo e com linguajar menos jurídico para que o preso possa dizer o que ele quer", diz.

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O projeto piloto foi apresentado em novembro ao Depen (Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça).

A próxima etapa é a finalização do software, que está sendo criado na DPU, e a integração com os sistemas dos tribunais de Justiça dos Estados que receberem o equipamento.

O principal problema, diz o defensor, é justamente a falta de celeridade e integração das diferentes partes que atuam na área.

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CRISE CARCERÁRIA

Segundo Paz, a política de encarceramento adotada no Brasil se sobrepõe às soluções alternativas que poderiam reduzir a população carcerária, como a adoção de tornozeleira eletrônica para vigiar preso em regime domiciliar.

O defensor-geral diz que a crise do sistema carcerário não surpreende quem atua na área: "A crise é permanente para Defensoria Pública brasileira. É algo que vemos cotidianamente e tentamos enfrentar pelos nossos meios, como as inspeções dos conselhos penitenciários".

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Outra falha no sistema citada pelo defensor é a falta de políticas efetivas para evitar que o preso reincida no crime após sair da cadeia.

Sobre a construção de novos presídios, Paz diz que é compromisso da DPU se instalar onde houver presídio federal. "Você acha que é bom para a sociedade e para uma unidade defensorial ficar instalando unidade onde tem presídio? Eu queria instalar onde pudesse alterar o IDH de uma população, melhorar a situação social do povo. Mas se a decisão política é de construir presídio, a Defensoria vai estar lá como qualquer órgão de execução da pena."

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