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'Vazante' aborda banalização da escravidão dos negros no Brasil

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GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Para além do rigor na reconstituição histórica, salta aos olhos no filme "Vazante" a forma como o filme de Daniela Thomas retrata a escravidão no Brasil -como uma política cultural arraigada na sociedade, e não com o desgastado clichê da chibata. O longa é um dos destaques nacionais na programação do Festival de Berlim.

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Quem está acostumado às versões hollywoodianas do tema ("12 Anos de Escravidão", "Django Livre" e "Nascimento de uma Nação") se habituou às cenas de crueldade física impingida a negros nos filmes. Esse tipo de tortura física não aparece dessa maneira no filme de Thomas.

"Eu queria tratar da política de Estado da escravidão, e me afastar daquela representação que é quase um fetiche do sadismo: do branco como se gozasse enquanto maltrata o negro", diz a diretora. Ela tem em "Vazante" seu primeiro voo solo na direção -são dela também "Terra Estrangeira" e "Linha de Passe", em parceria com Walter Salles.

"A escravidão funcionou no Brasil também no nível cultural: era tanta frieza pelo outro, visto como bicho, que o branco nem se dava ao trabalho de bater, ele mandava que isso acontecesse", completa.

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Ambientado em Minas Gerais em 1821, "Vazante" gira em torno de uma adolescente que é forçada a se casar com um dono de terras muito mais velho. Enquanto o marido passa longos dias na estrada, a menina se vê cercada pelos escravos da fazenda e se afeiçoa a um deles em particular.

O longa se esmera na direção de arte e na reconstituição da vida no Brasil rural do período -a equipe contou com os préstimos da historiadora Mary Del Priore.

"O prazer que ela tem com a história é o do detalhe: do pelo na perna da mulher, da ausência de beijos, da austeridade da riqueza no Brasil, sem luxo nenhum", diz Daniela.

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"Vazante" também se esforça por captar o ritmo lento da vida na época, o que pode ser um choque ao espectador acostumado a obras mais agitadas. "Exijo do espectador a aceitação de outro tempo. É um filme-crochê, como aquelas peças costuradas pelas avós ao longo de uma vida inteira."

O jornalista GUILHERME GENESTRETI se hospeda a convite do Festival de Berlim

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