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Muito visitada, Buraquinho é a única praia imprópria do litoral norte da BA

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JOÃO PEDRO PITOMBO

LAURO DE FREITAS, BA (FOLHAPRESS) - Em todo litoral da Bahia ao norte de Salvador, há apenas um ponto fora da curva em qualidade da água.

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Levantamento feito pela reportagem, com dados de balneabilidade de 1.180 pontos de praias monitorados em 14 Estados do país, mostra que 29% delas são ruins ou péssimas para banho, 42% foram classificados como "bons" ou "ótimos" e 29% estavam "regulares". Os dados são dos próprios órgãos ambientais estaduais.

Das 20 praias entre a capital baiana até a divisa com Sergipe, 17 são boas ou ótimas, duas regulares e somente uma foi considerada péssima em 2016: a praia de Buraquinho, em Lauro de Freitas. É lá que desemboca o rio Joanes, que nasce em São Francisco do Conde, no recôncavo baiano, e passa por 56 vilas ou distritos até chegar ao mar. O rio é responsável por 40% do abastecimento de Salvador.

O aprazível encontro do rio com o mar, ladeado por praias badaladas como Vilas do Atlântico e Busca Vida, pode ser um convite ao erro.

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Deu praia - Brasil tem 1 em cada 4 praias monitoradas consideradas ruins ou péssimas para banhistas; veja a situção de cada uma

Mesmo chegando a registrar até 16.000 coliformes fecais por 100 ml de água -a partir de 1.000 a praia é imprópria- em determinadas semanas do ano, a praia continua sendo bastante frequentada, sobretudo por famílias que buscam um mar calmo.

Foi o caso do casal de turistas paulistas Rodrigo Lucena, 32, e Cristiana Lucena, 39, que levaram a pequena Letícia, 2, para um banho de mar na região.

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"Viemos por indicação de amigos que disseram que aqui tinha uma água calminha, boa para crianças", afirma Rodrigo.

Natanael Alencar, 25, e Daniela Ferraz, 26, também turistas vindos de São Paulo, foram à praia pelo mesmo motivo e levaram o filho Vinícius para aproveitar o encontro do rio com o mar.

"Não tínhamos ideia de que a praia não era boa", diz Natanael. Na faixa de areia, nenhuma placa ou bandeira indica que a área é imprópria para banho.

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Pescadores que ainda atuam na região apontam lançamento de esgoto nos rios como motivo da poluição. E reclamam da queda na oferta de peixes e mariscos ao longo dos últimos anos.

Carlos Antônio Souza, 65, que pesca na região desde os 12, diz que atualmente são necessários de quatro a cinco dias no mar para voltar com o barco cheio. Na sua juventude, bastava um dia.

"Voltávamos abarrotados de peixes. Agora, com tanta poluição, os peixes sumiram. É um descaso", afirma.

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Praias vizinhas à Buraquinho também sofrem a consequência da poluição do rio Joanes. É o caso de Vilas do Atlântico, onde casas de alto padrão margeiam a beira da praia, mas a qualidade da água é considerada apenas regular.

Outra praia considerada regular no litoral norte baiano é Imbassaí, vila da cidade de Mata de São João, a 10 km da badalada praia do Forte.

Lá, assim como em buraquinho, o rio também desemboca no mar. Mas o nível de poluição é bem menor, pela distância dos grandes centros urbanos.

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Em Salvador, as praias ruins também ficam próximas de rios, caso do rio Vermelho, onde desemboca o rio Lucaia, e Pituba, onde fica a foz do rio Camurujipe. As praias da capital dentro da baía de Todos-os-Santos, em sua maioria, são ruins: das 13, nove são impróprias.

OUTRO LADO

Responsável pela coleta e monitoramento das águas na praia, o Inema -órgão estadual de meio ambiente- confirma que o lançamento de esgoto no rio Joanes e seus afluentes é o principal motivo da poluição da praia.

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A Embasa, estatal responsável pelo saneamento na Bahia, diz que ampliou a coleta de esgoto na região ao longo dos últimos anos. Em Salvador, a coleta chaga a 83% das residências. O órgão aponta as ligações clandestinas na rede pluvial como motivação da poluição no rio.

A Prefeitura de Salvador diz que faz manutenção periódica da rede pluvial na cidade para que sujeira não seja despejada nas praias. E diz fiscalizar a existência de redes de esgoto clandestinas.

Procurada, a Prefeitura de Lauro de Freitas não se pronunciou sobre o assunto.

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