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Papa Francisco admite corrupção no Vaticano, mas diz estar em paz

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O papa Francisco afirmou estar em paz consigo próprio, apesar dos escândalos de corrupção do Vaticano, dos casos de abuso sexual e da rebelião da ala conservadora da Igreja Católica contra as reformas feitas por ele.

Em entrevista ao jornal italiano "Corriere della Sera", o pontífice disse que os membros do clero pedem as reformas em conversas sobre os problemas. "Há corrupção no Vaticano, mas estou em paz."

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Sobre os problemas da Igreja, afirmou que orienta os religiosos a aprenderem a sofrer como um pai e a fazer um grande pacto com a humildade, mas que eles nunca devem deixar de lado os obstáculos.

"Sim, existem 'Pôncios Pilatos' na Igreja, que lavam suas mãos para evitar um desconforto, mas um superior que lava as suas mãos não é um pai, e não ajuda".

Após sua escolha, em 2013, Francisco ordenou o combate aos problemas financeiros do Vaticano, principalmente em seu banco. Ele criou um ministério para centralizar operações e aumentou o poder da autoridade financeira.

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Além da corrupção, a mensagem foi uma referência aos bispos que tentaram encobrir casos de abuso sexual de padres. Francisco considera os abusos sexuais uma 'doença' e uma 'ação do Diabo'.

"Se não estivermos convencidos de que isto é uma doença, não podemos resolver o problema. Então prestemos atenção quando recebemos candidatos à vida religiosa e garantamos que sejam emocionalmente maduros."

Em dezembro, o papa exigiu dos bispos que tenham tolerância zero com abusos do clero e pediu perdão por "um pecado que nos envergonha". Ele orientou o clero a proteger as crianças e criou uma comissão de averiguação.

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Porém, vítimas dizem que, apesar dos anúncios, Francisco deveria ir além e punir bispos que esconderam os casos, o que prejudicou a imagem da Igreja Católica.

Ele também incentivou as comunidades religiosas a exporem suas críticas, para pressionar as dioceses. "Não há necessidade de fazer com que um cardeal se sinta como um príncipe. Esta é a pior coisa na organização da Igreja."

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Para dormir bem, Francisco conta que anota os problemas em pequenos bilhetes, que coloca em baixo de uma imagem de São José que tem em seu quarto. Isso, segundo ele, garante um sono restaurador de ao menos seis horas.

"Quando eu rezo, eu sempre me volto para a Bíblia. E a paz dentro de mim cresce. Eu não sei se este é o segredo. A paz é um presente de Deus. Espero que ele nunca tire isso de mim."

O argentino afirma ter sentido a paz de agora logo após o conclave, e que a sensação "nunca foi embora. Não sei como explicar." Trata-se, segundo ele, de uma transformação em relação ao período como arcebispo de Buenos Aires. "Era muito mais ansioso."

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