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'Point' do verão catarinense, Balneário Camboriú pena para limpar praias

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ESTELITA HASS CARAZZAI, ENVIADA ESPECIAL

SANTA CATARINA, SC (FOLHAPRESS) - Um dos principais destinos do litoral catarinense, a praia de Balneário Camboriú, conhecida pelos arranha-céus de até 56 andares e apartamentos de alto luxo à beira-mar, ainda luta para ter pontos próprios durante a temporada.

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As duas pontas da praia foram consideradas péssimas no ano passado, segundo levantamento da Folha de S.Paulo -ou seja, ficaram impróprias para banho durante mais da metade do ano. O resto da orla varia entre regular (imprópria em até 25% do tempo) e ruim (até 50% do tempo).

Ainda assim, a qualidade da água melhorou, segundo o histórico de balneabilidade. Na década de 1990, quase nenhum trecho se salvava. A média de coliformes fecais era de 2.000 para cada 100 ml de água -o limite máximo é de 800. Hoje, não passa de 500 na maior parte da orla.

"Fazia tempo que eu não via a água tão limpa", diz a administradora Vera Leite, 44. "Eu criei meus dois filhos nessa água, e nunca pegaram nada."

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Nem todo mundo tem a mesma opinião. "Melhorou bastante. Mas, na água, a gente não se arrisca", diz a farmacêutica Martha Bremer, 35. Ela, que frequenta a praia desde criança, não vai ao mar "nem para dar uma molhadinha no pé". "Eu não entro. Ali pelas 18h, o cheiro de cocô é terrível", diz a corretora de imóveis Elisandra Rosa, 39, que mora em Balneário há três anos.

A prefeitura reconhece que a qualidade da água nas pontas da praia piorou na última década, e atribui o problema ao crescimento da cidade, além da ausência de tratamento de esgoto no município vizinho, Camboriú -por onde passa o rio que deságua no mar.

Um molhe foi construído na Barra Sul, para desviar as águas para o alto-mar. A prefeitura promete fazer o mesmo na Barra Norte. Quando a Folha visitou a praia, em meados de janeiro, poucas placas indicavam a qualidade da água. Uma chuva recente havia derrubado parte delas, informaram funcionários da prefeitura.

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REFÚGIO

O Estado de Santa Catarina é o segundo em número de trechos monitorados no Brasil: são 214 pontos de coleta. A extensão da análise acaba revelando trechos ruins mesmo em praias com boa balneabilidade na média.

"É um serviço que a gente presta, de forma isenta", afirma o presidente da Fundação do Meio Ambiente, Alexandre Rates. Para ele, a qualidade do mar melhorou nos últimos anos, exatamente devido ao monitoramento: quase 40% delas são consideradas boas.

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A praia de Bombinhas, no litoral norte, é uma delas. "A água é transparente, cristalina", diz o argentino Sergio Barreto. "Para mim, é uma das melhores", afirma a turista Daiane Volpato Salvador.

Mas um dos cantos da praia, ainda que de águas azuis e tido como um refúgio ecológico, foi avaliado como péssimo em balneabilidade, ao longo de todo o ano. "Ali é complicado, sempre cheira mal", diz o estudante gaúcho João Vítor Vedovelli, 18, que frequenta Bombinhas desde criança.

Um riacho deságua no canto sul da praia. O problema ali, segundo a prefeitura, são ligações clandestinas de esgoto. Dono de uma lanchonete ao lado do córrego, o comerciante Odelson Gomes da Silva reclama do cheiro, que, no fim da tarde, afasta clientes.

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Todo ano, a prefeitura realiza uma operação para detectar irregularidades. Só nesta temporada, já autuou 16 propriedades. A cidade passou a cobrar taxa de turistas no ano passado, para minimizar os impactos ao meio ambiente: são R$ 26 por carro.

O município já arrecadou R$ 13 milhões com a cobrança, dos quais R$ 4 milhões foram investidos na limpeza. Mas o problema, diz a prefeitura, são ligações reincidentes: muitos moradores são autuados mais de uma vez. "É uma questão de consciência, também", diz Rates.

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