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Ex-embaixador pode ajudar relação do Brasil com Trump, diz pesquisador

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DANIEL BUARQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em seu discurso inicial no Departamento de Estado dos EUA, nesta quinta (2), o novo responsável pela diplomacia americana, Rex Tillerson, agradeceu ao diplomata Thomas Shannon pelo trabalho interino no cargo desde a posse do presidente Donald Trump.

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Ex-embaixador em Brasília, Shannon é subsecretário de Estado para Assuntos Políticos -principal posto ocupado por diplomatas- e deve ter um papel central nas relações exteriores dos EUA no governo Trump, o que deve ser bom para o Brasil, segundo o pesquisador australiano Sean Burges.

"Por mais que Trump esteja mudando a diplomacia americana, Shannon ainda está lá. Ele tem um senso muito claro do que pode ser feito e do que não pode ser feito, conhece o jogo e sabe falar a língua de Trump", explicou Burges em entrevista à Folha de S.Paulo.

Segundo ele, a presença de Shannon no Departamento de Estado vai ajudar a superar um dos principais desafios da relação bilateral entre Brasil e EUA: o desconhecimento dos americanos em relação ao Brasil.

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"O que atrapalha o desenvolvimento de políticas e iniciativas que são do interesse dos dois países é uma falta de conhecimento sobre o Brasil em Washington e um justificado legado de desconfiança do Brasil em relação aos EUA", disse. Shannon, "conhece o Brasil e fala a língua das pessoas que estão em torno de Trump, o que pode ajudar".

Vice-diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos da universidade Australian National e pesquisador sênior do Council on Hemispheric Affairs, Burges acaba de lançar o livro "Brazil in the World: The International Relations of a South American Giant" ("Brasil no Mundo: As Relações Internacionais de um Gigante Sul-Americano), editado em inglês pela Manchester University Press, em que aborda o "jeito brasileiro" de fazer diplomacia.

Para ele, a não ser que surjam problemas inesperados, não há motivos para preocupação do Brasil na relação com Trump, pois os temas centrais para Trump são a balança comercial e a imigração, que não criam problemas entre os dois países.

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"A não ser que algo dê errado, é importante manter a calma e continuar o trabalho bilateral. 'Keep calm and carry on'. Pode dar tudo certo."

A avaliação do pesquisador é de que o Brasil e a América Latina (exceto o México) não estão no centro da atenção do governo americano, e que isso é bom para o país e para a região.

"O problema com Trump é chamar a atenção. Qualquer coisa que atraia a atenção dele se torna um risco. O ideal é ficar quieto, se manter fora do radar, e manter as negociações tradicionais. Ele não é um ator racional, e não podemos saber o que eles está planejando", disse.

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