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Depois de Doria, prefeito de Curitiba lava calçadão e promete cidade limpa

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Depois de o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), se vestir de gari e prometer limpar a cidade, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), começou nesta terça (31) um mutirão de limpeza do calçadão da rua XV de Novembro, no centro da cidade.

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Greca cumprimentou garis, posou para fotos e, segurando um jato de água, deu início à lavagem do calçadão.

"Como você viu, eu estou vestido de Rafael [Greca]", disse, ao ser perguntado se estava repetindo o gesto de Doria.

O prefeito cumpre uma promessa de campanha de "revitalizar" o município. A cada semana, um dos calçadões de Curitiba será lavado. Para ele, os espaços são "emblemáticos", ajudam a construir a identidade cultural do município e são "indutores do amor pela cidade".

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"São espaços que não merecem ser depreciados. Quanto mais gente se interessar em preservar o centro vivo, histórico, mais gente será parceira da causa da curitibanidade, da causa da cidade."

Greca defendeu que a limpeza do município é obrigação do prefeito e "é prioritária num país que tem febre amarela, dengue, zika, chikungunya e ameaça de cólera".

MORADORES DE RUA

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A lavagem do calçadão, que começou às 22h e se estendeu pela madrugada, incluiu a remoção de moradores de rua que ocupavam o espaço. Segundo a prefeitura, eles foram orientados previamente sobre o mutirão e "convidados a sair" enquanto ocorresse a limpeza.

"Condenar [o morador de rua] à rua eterna é que é maltratar. Abrigá-lo não é maltratar", afirmou Greca.

A presidente da FAS (Fundação de Ação Social) de Curitiba, Larissa Tissot, acompanhou a ação e disse que a intenção da prefeitura foi proteger os moradores de eventuais violações durante a limpeza, acolher aqueles que assim o desejarem nos abrigos e, aos poucos, resgatar a sua cidadania por meio de políticas de inclusão.

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Tissot nega que haja uma política de retirada da população de rua em Curitiba, e diz que a limpeza do calçadão não tem qualquer relação com as políticas de assistência social do município.

Ela defende, porém, uma "ressignificação" e uma "reconstrução de vínculos" com essa população.

"A rua não foi feita para ser um espaço de moradia. É um espaço transitório, e nós precisamos trabalhar com essa perspectiva e permitir a essas pessoas que atinjam outros níveis de cidadania."

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Para ela, "é direito do morador ficar na rua, mas é dever do Estado promover uma política pública adequada".

Além da motovarredeira, 30 garis e dez regadores participaram da ação.

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