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ATUALIZADA - SP celebra Ano-Novo chinês com muito rolinho primavera e yakissoba

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CAMILA SVENSON E PÉTALA LOPES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com banquetes recheados de rolinho primavera e pastel cozido, as famílias Tsai e e Shih comemoram: bem-vindo ao ano 4.715.

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Ao menos para os chineses, foi este o Ano-Novo que chegou à 0h de sábado (28). A celebração dura 15 dias e pode começar em janeiro ou fevereiro, num calendário que se baseia nos ciclos tanto da lua quanto do sol (para ocidentais em geral, a referência é só solar).

Na véspera, os Tsai se reuniram no Rong He, tradicional restaurante chinês, daqueles em que o cozinheiro prepara o macarrão virando a massa na frente dos clientes.

Teresa Tsai, 62, chegou ao Brasil em 1961, numa família de seis irmãos.

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Com parte dos parentes (aí incluso seu pai, de 93 anos), trabalha na Teresa Presentes, loja de quinquilharias na Liberdade (região central de São Paulo) que vende de leques com temática oriental a canecas com o logo da Harley Davidson.

Ela conta suas lembranças de quando ainda morava em Taiwan, ilha sob jugo chinês. "Lá, as crianças não ganham presente sempre, só no Ano-Novo." O agrado: um envelope vermelho com dinheiro. "Não importava o valor, todo mundo ia para cima pegar esse envelope."

O filho Tomás, 29, que trabalha com recursos humanos, é da primeira geração nascida no Brasil. Ele diz se esforçar para não esquecer as raízes.

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"Meu vô trouxe isso de preservar os rituais. Ele sempre fala pra gente, 'o Ano-Novo chinês vai cair em tal dia, e é o ano de tal animal."

A virada no calendário corresponde a um dos 12 animais do horóscopo chinês - no ano 4.715 é a vez do Galo.

Na casa da família Shih, em Guarulhos, é a filha mais nova, Jeni, 48, que abre a porta e explica simbologias de sua cultura.

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O número oito é benquisto, pois sua pronúncia em mandarim rima com fortuna e prosperidade.

Já a cor vermelha, onipresente na decoração das festividades, representa boa sorte.

O patriarca Shih Tsung Chi, 89, comerciante aposentado, imigrou para cá há 50 anos. Ele está sentado na sala, preparando as dobraduras (Yuán-Bao) que fariam parte do ritual de passagem - liderado pelo homem mais velho da família, segundo a tradição.

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Douradas e ajeitadas em saquinhos vermelhos, elas simbolizam ouro e são uma das oferendas para aos antepassados.

Há um altar com fotos dos pais do sr. Shih, numa mesa com toalha vermelha e pratos com maçã e uva. A porta principal da casa fica aberta - um convite aos finados para que entrem e celebrem juntos.

A cozinha está sob a batuta da matriarca Shih Liou Youn Cheun Mei, 77, dona de uma barraca de yakissoba na praça da República desde 1986 - ela também atende por dona Cecília, seu "nome brasileiro".

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A ceia demorou dias para ficar pronta. Ela mostra um prato que fez como aperitivo: bolinhos folhados de nabo.

Diz que que boa parte do menu desta noite não aparecerá nos restaurantes chineses no Brasil - são feitos só em ocasiões especiais.

Há oito cadeiras em volta da mesa, oferecidas a oito antepassados. Uma filha do casal, Shih Yun Huei, 53, também conhecida como Cristina Shih, explica que "ninguém pode ficar sem casa", nem mesmo os mortos.

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Em dado momento, todos descem para a garagem da casa para preparar guiozas. É quando "a família chinesa vira italiana", diz Cristina. Juntos os Shih põem literalmente a mão na massa de farinha de trigo e a preenchem o recheio "da sorte" (moedas, ameixas, balas, amendoins, cada um simbolizando uma "sorte" para o ano).

Para a ceia, cada convidado traz um prato. O cardápio inclui figurinhas fáceis do fim de ano brasileiro. Pernil e chester se misturam a receitas típicas da China, como costelinha no molho agridoce, barriga de boi e rabo de porco no molho shoyu.

No sábado (28), os Tsai e os Shih participam da tradicional festa do Ano-Novo na Liberdade, considerada a maior do mundo fora do território chinês.

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São cerca de 60 barracas com comes e bebes à moda chinesa, inclusive um food truck de Leonardo Young, vencedor do "MasterChef Brasil".

A familia Shih também mantém uma barraca na festa, onde vendem bowls e o tradicional pão chinês cozido no vapor.

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