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Líder mexicano nega que pagará muro, mas não comenta sobre visita aos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do México, Enrique Peña Nieto, voltou a dizer que não pagará pelo muro na fronteira dos EUA, como quer Donald Trump, mas não comenta sobre se manterá a visita da próxima terça (31) a Washington.

Peña Nieto foi pressionado durante todo o dia por seus opositores a cancelar o encontro com Trump na Casa Branca, em retaliação ao decreto anunciado nesta quarta-feira (25) por seu colega americano. À noite, porém, fez um comunicado condenando a decisão de Trump. "Lamento e reprovo a decisão dos EUA de continuar a construção de um muro que deseja há anos que, longe de nos unir, nos divide", disse.

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"O México não acredita nos muros. Disse uma e outra vez, o México não vai pagar por nenhum muro. [...] O México oferece e exige respeito, como a nação soberana que somos."

No discurso, disse que orientará a defesa de seus cidadãos no exterior e que sua equipe da Secretaria das Relações Exteriores discutirá com o Senado quais são "os próximos passos a tomar", mas não fez menção à viagem.

A declaração foi feita às 20h30 locais (0h30 de quinta em Brasília), quase 12 horas depois do anúncio de Trump e após receber fortes críticas da oposição a seu partido, o centrista PRI.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Javier Bolaños (PAN, direita) e Francisco Martínez Neri, líder do PRD (centro-esquerda) na Câmara, defenderam que o encontro fosse adiado até que os três Poderes mexicanos saibam o que fazer para lidar com a medida do republicano.

Presidenciável do PAN, Margarita Zavala considerou uma ofensa ao México e afirmou que o presidente deveria reconsiderar o encontro. "O muro de Trump é um monumento ao ódio e à intolerância. É indigno de duas nações livres e democráticas."

Candidato à Presidência em 2006 e 2012 e principal militante da esquerda mexicana, Andrés Manuel López Obrador, disse que vai recorrer a tribunais internacionais para impedir a construção da barreira.

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"Trump: seu muro nos agride e deixa a Estátua da Liberdade como lenda. Iremos a tribunais internacionais. Viva a fraternidade", declarou o presidente do Movimento Regeneração Nacional (Morena), em um canal oficial.

CRISE

Caso mantenha a viagem, Peña Nieto pode arrumar mais um motivo de crise com sua população. O México foi um dos países em que houve o maior número de protestos no dia da posse de Donald Trump.

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Desde que o republicano foi eleito, em novembro, o México é pressionado pela desvalorização do peso, que chegou a seu menor nível em relação ao dólar, e pelo risco de aumento nas restrições migratórias aos EUA.

A alta do dólar fez com que o governo tivesse que subir fortemente o preço da gasolina, subsidiado pela petroleira estatal Pemex, levando a três semanas de protestos violentos em todo o país desde dezembro.

As ameaças de Trump às empresas que atuam nos EUA, principalmente no setor automobilístico, deve pressionar também a geração de empregos: a Ford e a GM já transferiram operações do México para território americano.

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