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ATUALIZADA - Recorde é quebrado pela 3ª vez seguida e 2016 é o ano mais quente

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GABRIEL ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nada que não já fosse esperado: 2016 é o ano mais quente já registrado. É o terceiro ano consecutivo em que o recorde global de temperatura é quebrado. Estudos prévios já indicavam esse resultado, mas a informação foi enfim confirmada nesta quarta (18) pela agência americana responsável por monitorar atmosfera e oceanos, a Noaa.

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No ano passado, a média da temperatura da Terra ficou 0,94°C acima da média do século 20, que serve como "zero" para a escala. O atual segundo colocado, 2015, teve uma temperatura de 0,9°C acima --essa diferença em relação à média histórica recebe o nome de "anomalia".

Nos 16 primeiros anos do século 21, houve quebras de recorde em 2010, 2014, 2015, 2016. E, entre os dez anos mais quentes já registrados, só o de 1998 não é deste século --foi um ano com El Niño especialmente forte.

O fenômeno, caracterizado pela elevada temperatura das águas do oceano Pacífico, bagunça o clima de todo o mundo, deixando-o especialmente quente e chuvoso em algumas regiões e seco em outras. O último aconteceu em 2015.

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Recordes de temperatura foram medidos em algumas partes da Rússia, superando 6°C acima da média histórica. Também foi a maior temperatura já registrada no Alasca --a anomalia positiva em algumas regiões foi de 3°C.

No Brasil, algumas regiões amazônicas e do Nordeste tiveram a temperatura média mais alta já calculada. O restante do país ficou também acima da média, só que com menos intensidade.

Curiosamente apesar da variabilidade inerente à climatologia, nenhuma região terrestre ficou abaixo da média histórica. A única região com recorde negativo, oceânico, foi o estreito de Drake, entre o extremo sul da América do Sul e a Antártida.

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FUTURO

"Em algum momento, isso acaba deixando de ser novidade", avalia o físico Paulo Artaxo, um dos mais influentes cientistas brasileiros, sobre a repetição do recorde.

Entre os fatores que podem explicar a ingrata tendência está a emissão de gases do efeito estufa.

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Para a maioria dos cientistas, a ação do homem sobre o clima é a causa certa do aquecimento global. Outros fatores importantes são eventos climáticos como El Niño e La Niña, além da variabilidade climática, diz Artaxo.

Ele diz que eventos extremos como furacões, queimadas e enchentes são uma boa amostra do que está por vir do futuro climático do mundo.

"No início do ano, no Rio, houve temperaturas acima de 40°C por mais de uma semana. Também teve uma massa polar invadindo a Europa por mais tempo que o normal. São alterações profundas no sistema climático que estão acontecendo, infelizmente, conforme o esperado."

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A mensagem, diz Artaxo, é que as cidades e Estados devem se preparar para os eventos extremos, como as enchentes que atingiram São Paulo nos últimos dias e a seca recorde no Nordeste. "Não adianta só ficar na teoria, tem que virar política pública ou haverá impactos socioeconômicos brutais".

Entre possíveis impactos do aquecimento global estão o aumento de conflitos, por causa da competição por recursos e da perda de territórios com o aumento do nível do mar.

TRUMP

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O futuro do clima na Terra ganhou tons de dúvida após a eleição do republicano Donald Trump para a Casa Branca. O magnata tem um histórico de oposição à política climática vigente e assume o posto nesta sexta-feira (20).

Para Tércio Ambrizzi, climatologista e professor da USP, um perigo é a proximidade de Trump com a indústria petrolífera e do carvão. O republicano escolheu Rex Tillerson, ex-CEO da gigante do petróleo ExxonMobil para ser secretário de Estado.

Com alguns Estados mais alinhados com a causa do aquecimento global, como Califórnia e Massachusetts, deve haver uma batalha interna nos EUA, além da externa, contra a China.

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O país vem tentando convencer Trump a respeitar o Acordo de Paris (tratado que tenta limitar as emissões de CO2), mas ainda não houve garantia do futuro mandatário. "A coisa encrespou, encrespou feio", diz Artaxo.

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