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Sem informação, parente de preso espia por buraco de fechadura em AM

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FABIANO MAISONNAVE

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - Um minúsculo buraco de fechadura. Durante a maior parte deste domingo (8), essa foi a principal fonte de informação para dezenas de parentes de presos na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoal, no centro de Manaus, onde ao menos quatro detentos morreram na madrugada.

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Os presos começaram a se aglomerar ali nas primeiras horas da manhã. Revoltadas com a falta de notícias, algumas mulheres chegaram a incendiar um monte de lixo no meio da rua, exigindo informações e entrega de comida aos presos. Por precaução, o trânsito da região foi desviado.

Por volta das 12h, uma agente penitenciária informou o nome de seis ausentes e pediu que os parentes desses se encaminhassem ao Instituto Médico Legal (IML). Desses, quatro estão mortos e dois têm o paradeiro desconhecido.

Os parentes então descobriram duas pequenas frestas em uma grande porta na parte lateral do prédio, inaugurado em 1907 e que foi reativado para receber parte dos presos que sobreviveram ao massacre no complexo penitenciário Compaj, no Ano Novo. A mais visível era a da fechadura.

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Em intervalos, os familiares espalhadas informações desencontradas do que viam pela fresta: um corpo novo encontrado, um preso apanhando, presos orando com um pastor.

Num desses boatos, a dona de casa Maria de Souza, 47, teve um breve desmaio quando uma amiga a contou que seu filho estava espancado no chão. O Samu chegou a ser acionado, mas não passou de um susto.

"A única informação é de que ele não morreu. Não consigo ir pra casa", diz Souza, mãe de um detendo de 23 anos, preso há dois anos e três meses.

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Com a aglomeração cada vez maior, um PM gritou por trás da porta, às 16h30, que soltaria spray de pimenta, provocando uma pequena correria.

Em seguida, abriu a porta e procurou tranquilizar os familiares. Ele entregou uma saco cheio de pão francês, para demonstrar que não havia falta de comida.

Alguns parentes aproveitaram a porta aberta e gritaram o nome de familiares esperando uma resposta, mas os presos aparentemente estavam longe dali.

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Por volta das 17h, uma agente penitenciária leu os nomes dos presos vivos, arrancando gritos de alívio e agradecimento a Deus. Finda a leitura, alguns foram pra casa e outros se demoraram um pouco mais diante do prédio.

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