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Advogado de mulher de embaixador morto diz que ela se sente injustiçada

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A defesa de Françoise Oliveira, 40, presa temporariamente por suspeita de ter planejado a morte do marido, o embaixador grego Kyriakos Amiridis, 59, diz que ela se sente injustiçada pela polícia.

Seu advogado, Jorge Viana Dória, critica a forma como os investigadores colheram o depoimento de Françoise.

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"Ela prestou depoimento na ausência de defesa. Quando a pessoa está sozinha, há palavras que são extorquidas. A polícia é muito truculenta, não avisa que a pessoa tem o direito de ficar calada e não produzir provas contra si. Ela ficou acuada", diz o advogado.

Dória reitera o que Oliveira dissera em depoimento, que nega ter planejado o crime, mas acusa o policial militar Sérgio Gomes Moreira Filho, 29, que seria seu amante, de ter cometido o crime.

O advogado diz que, por não ter tido acesso à íntegra do processo, não pode comentar detalhes.

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"Era um casal harmonioso. Trabalham juntos em uma feira em Brasília para ajudar refugiados. Isso indica que é uma pessoa preocupada com injustiças. Era comum o embaixador passar dias fora de casa, por isso ela só procurou a polícia dois dias depois do desaparecimento", disse o advogado.

Em depoimento à polícia, Oliveira disse que tinha uma relação extraconjugal havia seis meses com o soldado da PM Sérgio Gomes Moreira Filho, 29, e que foi ele o autor do crime. A motivação, disse ela, teria sido o fato de ele não aprovar da relação dela com o marido. O policial e um primo dele também estão presos sob suspeita de participação na morte do diplomata.

Em seu relato, ela disse, segundo a polícia, que não poderia ter evitado o crime. Afirmou que estava fora de casa no momento em que tudo aconteceu.

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Segundo as investigações, Kyriakos Amiridis foi morto na própria casa e, na sequência, seu corpo foi retirado do local pelo policial militar e levado no próprio carro alugado pelo embaixador a um local onde foi queimado junto com o veículo.

Segundo a polícia, ela disse que notou, no dia seguinte ao desaparecimento do embaixador, que o sofá do apartamento onde o casal estava hospedado, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, estava molhado. O sofá foi peça-chave da investigação da polícia, pois os agentes encontraram nele manchas de sangue. Segundo depoimento, ela então questionou o amante, que então teria confessado a ela ter matado o embaixador.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Evaristo Pontes, o soldado da PM confessou à polícia ter matado o diplomata. Em depoimento, negou que o ato tivesse sido premeditado e disse que foi resultado de uma luta corporal entre os dois. Sérgio está preso temporariamente na unidade prisional da PM, em Niterói.

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O soldado está na Polícia Militar desde abril de 2012 e trabalhava na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Fallet/Fogueteiro. Ele será submetido a processo administrativo disciplinar e um conselho de revisão disciplinar decidirá por sua permanência ou exclusão da instituição.

SUSPEITA

A polícia diz não acreditar na versão de Françoise. O delegado responsável pelo caso afirma ter provas do envolvimento dela, mas não divulgou quais são os indícios que a incriminam. Parte da suspeita tem base no depoimento do primo do soldado, Eduardo Moreira, 24, também preso temporariamente. A polícia o acusa de ter sido cúmplice do crime ao ajudar o primo PM a se desfazer do corpo do embaixador.

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Em seu relato, Eduardo afirmou que Françoise havia oferecido R$ 80 mil para que ele participasse do assassinato, valor que seria pago 30 dias após o assassinato. Embora enfatize serem investigações preliminares, a polícia trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido planejado pelo casal para que a viúva herdasse seus bens.

Segundo o delegado, Françoise ainda não tem defesa constituída. A reportagem procurou a Polícia Civil e aguarda uma posição do órgão de investigação sobre os procedimentos feitos para colher o depoimento de Françoise.

DESAPARECIMENTO

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Amiridis morava em Brasília, mas o casal mantinha um apartamento em Nova Iguaçu, cidade onde vivem os parentes de Françoise. O embaixador estava de férias no Rio até o próximo dia 9, quando deveria voltar ao trabalho na embaixada em Brasília.

Ele fora visto pela última vez na segunda-feira (26). Foi a própria viúva do embaixador que comunicou o sumiço do marido à Polícia Federal, dois dias depois. De imediato, a PF avaliou que o desaparecimento não tinha relação com a atividade diplomática de Amiridis no Brasil. Por isso, o caso foi encaminhado à Polícia Civil, que tem um setor específico para investigações de desaparecimentos.

Na noite de quinta (29), um corpo foi encontrado dentro de um carro cuja placa era a mesma do veículo que havia sido alugado pelo diplomata. O veículo estava queimado, sob um viaduto, no bairro da Figueira, em Nova Iguaçu. Posteriormente, a polícia confirmou que o corpo era dele.

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Na sexta (30), os três suspeitos foram ouvidos pela polícia, que pediu a prisão temporária, concedida pela Justiça na mesma noite.

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