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ATUALIZADA - Putin anuncia cessar-fogo entre regime de Assad e rebeldes sírios

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O regime sírio e a oposição assinaram um acordo de cessar-fogo e se comprometeram a participar de uma nova rodada de negociações.

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O anúncio foi feito nesta quinta-feira (29) por Vladimir Putin, presidente da Rússia, que declarou também a redução de seu envolvimento no conflito, iniciado em 2011.

Após a vitória do Exército sírio em Aleppo, o cessar-fogo pode significar um importante desenvolvimento nessa guerra civil, que tem impactado todo o Oriente Médio.

O Exército sírio disse que os embates seriam paralisados a partir da meia-noite local (20h em Brasília). Segundo a Rússia, as facções rebeldes que aderiram ao acordo incluem 62 mil combatentes.

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A Coalizão Nacional Síria e o Exército Livre da Síria, aliança de rebeldes que perdeu relevância nos últimos anos, afirmaram estar comprometidos com o cessar-fogo e pediram que as partes envolvidas o respeitem.

Há controvérsias a respeito da abrangência do acordo. O Exército afirmou que grupos terroristas, como o Estado Islâmico e a Jabhat Fateh al-Sham, estão excluídos. Ambos estão entre os principais atores do conflito.

Forças rebeldes dizem, por outro lado, que só o EI não estava incluído no cessar-fogo. A Jabhat Fateh al-Sham, antiga Jabhat al-Nusra, está ligada à rede Al Qaeda.

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O cessar-fogo já vinha sendo debatido. O governo turco havia anunciado na véspera a possibilidade de que os ataques fossem interrompidos.

A Turquia teve um papel central na confecção do acordo, assim como a Rússia. Ambos se apresentaram como "fiadores" do trato. "Essa janela de oportunidade não pode ser desperdiçada", afirmou Recep Tayyip Erdogan, presidente turco.

O protagonismo turco e russo significa o isolamento dos Estados Unidos, após o governo de Barack Obama ter fracassado em solucionar o conflito. Espera-se que Donald Trump, eleito em novembro, se afaste do tema.

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CAZAQUISTÃO

O regime e a oposição assinaram três documentos: o acordo pelo cessar-fogo, uma lista de garantias para manter a trégua e o comprometimento em participar das negociações políticas futuras.

Durante o período do cessar-fogo, nenhuma das partes poderá expandir o território que está sob seu controle.

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Deve haver um encontro no Cazaquistão envolvendo Rússia, Turquia, Irã e as partes sírias envolvidas.

O anúncio deve ser recebido, no entanto, com cautela. Mesmo o presidente russo reconheceu que a situação do cessar-fogo era "frágil".

Tentativas anteriores de cessar-fogo fracassaram. Em setembro, um acordo mediado por Rússia e EUA foi suspenso após contínuo bombardeio sírio nas regiões controladas pelas forças rebeldes.

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Um dos empecilhos é a divergência entre as posições da Rússia e da Turquia. Putin é o principal aliado do ditador sírio Bashar al-Assad, enquanto o presidente turco vem exigindo sua renúncia.

A Turquia pede também que a milícia libanesa Hizbullah deixe a Síria, uma imposição que incomoda o Irã --aliado da facção. A participação do Hizbullah foi fundamental para garantir a sobrevivência do regime sírio, que chegou a ser ameaçado no início do conflito.

HISTÓRICO

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O confronto sírio foi iniciado em março de 2011 após protestos pacíficos serem escalados pela violência do regime e da oposição armada.

Estima-se que quase 500 mil pessoas tenham sido mortas. Cerca de 11 milhões foram deslocados, e 1 milhão de sírios pediram asilo na Europa.

Um dos episódios mais importantes do conflito foi travado recentemente: a tomada de Aleppo pelo Exército sírio, após anos de embates. Aleppo era a principal cidade do país e se tornou símbolo da guerra.

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O regime de Assad deve marchar, agora, rumo a outras regiões tomadas por forças rebeldes, como a província de Idlib e a cidade de Raqqa, a "capital" do Estado Islâmico. Há também bolsões de oposição ao norte, na fronteira com a Turquia.

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