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ATUALIZADA - Duterte leva à TV 'lista negra' de narcopolíticos

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ANA ESTELA DE SOUSA PINTO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, usou as emissoras de televisão nesta quinta (29) para ameaçar políticos envolvidos em corrupção e narcotráfico.

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Depois de prometer "convidar os corruptos para um passeio de helicóptero sobre Manila" e os "empurrar para fora, lá do alto", Duterte, 71, mostrou na TV um calhamaço de cerca de 15 cm de altura que, segundo ele, lista 6.000 narcopolíticos, e disse que culpados serão punidos --"mesmo os meus amigos".

"A violência é necessária. Nada vai mudar se os criminosos não tiverem medo", declarou o presidente na TV.

A estratégia é a mesma usada na vertente da guerra às drogas que ocorre nas ruas filipinas há seis meses: instilar o medo de punição --ou, no limite, de ser morto.

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Já são 6.214 as vítimas "comuns" --pequenos usuários e traficantes, segundo o governo; inocentes, segundo a maioria dos familiares (não houve inquérito ou julgamento dos suspeitos).

Segundo dados da própria polícia nacional (PNP), do total, 2.165 foram mortos pelas forças policiais e 4.049, por grupos de extermínio.

MARATONA

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Num único dia, o presidente deu quatro entrevistas exclusivas ao vivo --as primeiras desde que tomou posse, em julho deste ano.

Ao entregar à jornalista do site noticioso "Rappler" a "lista negra de narcocorruptos", declarou: "Esta é a imagem concreta da indústria das drogas filipina".

Entre os suspeitos, encontram-se generais, governadores e chefes de barangays (a menor unidade federativa no país), segundo Duterte.

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Ele afirmou que os nomes foram checados por até três serviços de inteligência, para evitar erros ou vingança entre inimigos políticos. À TV5 disse que "a guerra continuará custando vidas até o fim do mandato", contrariando a previsão de alguns analistas de que ele abrandaria seu discurso e mudaria o foco de sua gestão.

O mandato de Duterte termina em junho de 2022.

ESTADO ISLÂMICO

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Nas entrevistas às emissoras CNN e ABS-CBN, Duterte chamou de "erro de cálculo" a promessa feita em campanha de erradicar das Filipinas em até seis meses o shabu (nome dado no país à metanfetamina, droga mais usada). O elemento novo são os grupos terroristas --que estão sendo financiados pelo tráfico, segundo ele.

Entre eles está o Estado Islâmico, a quem o presidente (o primeiro a admitir a presença do grupo terrorista nas Filipinas) atribui atentados em Cotabato, neste Natal, e em Davao, em setembro.

Ele tem dado declarações contraditórias sobre a necessidade de Lei Marcial para combater o terrorismo e o narcotráfico.

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Por um lado, prega que a Constituição deveria ser alterada para que o chefe do Executivo possa declarar estado de exceção sem autorização do Congresso.

Por outro, afirma que não pretende usá-lo e que ele não melhora a vida dos filipinos.

'EFEITO COLATERAL'

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O presidente repetiu à ABS-CBN o pedido de desculpas feito há duas semanas em discurso, pelas mortes "indesejadas" --que ele chama de "efeito colateral"--. Ressaltou, porém, que não se arrepende das ações antidrogas.

Sobre supostos planos de inimigos políticos de tirá-lo do cargo, disse à CNN que os que tentarem "podem terminar com o nariz sangrando".

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