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Voto sobre Israel foi para preservar solução de dois Estados, diz Kerry

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse nesta quarta-feira (28) que o voto do seu país nas Nações Unidas sobre os assentamentos judaicos em território palestino foi para preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados para a região.

Os EUA agiram "de acordo com nossos valores", disse Kerry, que frisou que Israel é um aliado do seu país. O secretário afirmou que os EUA não podem ficar em silêncio enquanto veem a possibilidade de paz na região fugir.

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Em discurso semanas antes de o governo Obama dar lugar ao governo do presidente eleito Donald Trump, Kerry disse que "apesar de nossos esforços por vários anos, a solução de dois Estados está agora ameaçada".

Para o secretário, se Israel rejeitar uma solução de dois Estados, o país "pode ser judaico ou pode ser democrático".

Kerry também respondeu às críticas de Trump ao voto dos EUA, dizendo que todos os governos norte-americanos recentes votaram na ONU contra assentamentos, inclusive nos governos republicanos de Ronald Reagan e de George H. W. Bush.

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CONSELHO DE SEGURANÇA

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na sexta (23) uma resolução que condena a colonização israelense em territórios palestinos. O texto afirma que os assentamentos judaicos não têm validade legal e exige que Israel ponha fim à construção de novas colônias.

A aprovação só foi possível graças à posição inédita dos Estados Unidos, aliados históricos de Israel, que se abstiveram na votação. Por serem um dos membros permanentes do conselho, juntamente com China, Rússia, Reino Unido e França, os americanos têm poder de veto.

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Essa é a primeira resolução que o Conselho de Segurança adota em relação às questões Israel-Palestina em quase oito anos.

Comemorada pelo líder palestino Mahmoud Abbas, a resolução foi condenada pelo governo israelense.

"Israel rejeita esta vergonhosa resolução anti-israelense na ONU e não vai tolerar seus termos", disse um comunicado emitido pelo gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

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A atitude da diplomacia americana foi duramente criticada pelas autoridades israelenses. Um ministro chegou a dizer que os Estados Unidos haviam "abandonado seu único amigo no Oriente Médio".

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, condenou a abstenção americana. Pelas redes sociais, Trump afirmou que, a partir de 20 de janeiro, data de sua posse, as coisas serão diferentes na ONU.

ASSENTAMENTOS

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A Prefeitura de Jerusalém cancelou uma votação nesta quarta-feira (28) sobre a construção de cerca de 500 novas casas para israelenses na parte oriental da cidade, em tese administrada pelos palestinos.

A proposta de construção de casas em Jerusalém Oriental é parte do plano de assentamentos condenado pelo Conselho de Segurança da ONU na semana passada.

Aproximadamente 570 mil israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, em meio a 2,6 milhões de palestinos.

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