'Todos ainda estão desconfiados', diz brasileiro que mora em Berlim
GUILHERME MAGALHÃES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morador de Berlim há quase cinco anos, o brasileiro Eduardo Meyer, 36, conta que o clima em Berlim, um dia após o ataque terrorista que matou 12 pessoas em um mercado de Natal, ainda é de desconfiança.
"As pessoas estão desconfiadas, preocupadas. Ninguém deixou de fazer o que tinha de fazer hoje, mas pensamos: 'Será que vamos de novo num mercado de Natal?", diz o gerente de projetos, que mora a cerca de 200 metros da praça Breitscheid, onde fica a feira natalina atingida por um caminhão na noite desta segunda (19).
Ele relata que saiu de casa por volta das 19h para encontrar dois amigos brasileiros que visitavam Berlim e irem ao mercado alvo do ataque.
"Quando saí de casa já vi algo estranho, muita gente correndo para lados aleatórios. Quando cruzei a praça vi a cena, as barracas destruídas, muita gente machucada, gente morta", afirma Meyer. "Uma cena de guerra."
"Continuei andando porque não sabia o que tinha no caminhão, se tinha explosivos", diz ele.
Ao chegar no hotel onde tinha marcado de encontrar seus amigos, Meyer diz ter sido obrigado a entrar. "Estávamos dentro da área cercada e fomos obrigados a ficar no hotel até perto de 1 da manhã."
AUTORIA
A facção terrorista Estado Islâmico reivindicou nesta terça-feira (20) o ataque.
Um dos canais oficiais da milícia divulgou uma nota afirmando que o autor do atropelamento era um de seus "soldados" respondendo às chamadas por ataques contra a coalizão internacional inimiga da organização.
As autoridades alemães ainda não têm informações concretas sobre o atentado.
Sem evidências, a polícia soltou durante o dia um suspeito que estava sendo interrogado. Tratava-se de um imigrante paquistanês de 23 anos, detido próximo ao mercado natalino. Ele havia chegado à Alemanha em 31 de dezembro de 2015.
