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ATUALIZADA - Atirador mata embaixador russo na Turquia e invoca guerra na Síria

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O embaixador russo em Ancara, a capital da Turquia, foi morto nesta segunda (19) por um atirador que gritava o nome de Aleppo.

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Andrei Karlov, 62, discursava na abertura de uma exposição de fotos sobre a Rússia numa galeria de arte quando foi atingido nas costas por disparos. O atirador era, segundo as autoridades locais, um membro da polícia, mas ele não estava a serviço. Houve ao menos três feridos.

Um vídeo divulgado na internet mostra o momento do disparo e o atirador, vestindo terno e gravata escuros, gritando "Allahu akbar" (Deus é maior, em árabe).

Ele também citou Aleppo, pedindo que a cidade síria não seja esquecida e justificando seu ataque como uma vingança. "Qualquer um que participe dessa opressão vai morrer", afirmou em turco.

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"A não ser que nossas cidades estejam seguras, você não vai ter segurança. Só a morte pode me tirar daqui."

O atirador disse ainda: "Nós somos aqueles que juraram lealdade [ao profeta do islã] Maomé e à jihad".

Essa frase é tradicionalmente utilizada em cânticos islâmicos, incluindo hinos da organização terrorista Jabhat Fateh al-Sham (antiga Nusra), ligada à rede Al Qaeda.

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As fotografias do atentado mostram o homem gritando e gesticulando, enquanto segura a arma. O embaixador está caído, no chão.

A imprensa turca Anadolu diz que o atirador foi morto após o ataque e que a galeria de arte foi cercada pelas forças especiais. Sua mãe e irmã foram detidas poucas horas depois do atentado.

ALEPPO

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A Rússia bombardeou Aleppo, cercada pelo Exército sírio, durante os últimos meses, o que pode ter motivado o atirador de Ancara.

O regime sírio avançou na cidade na semana passada. Um acordo mediado pela Rússia e pela Turquia tem permitido a retirada de moradores da área sitiada há meses.

Não estava claro, até a conclusão desta edição, se havia alguma organização envolvida na ação contra o embaixador, mas a milícia terrorista Estado Islâmico realizou ataques contra alvos turcos nos últimos meses.

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Houve também ataques a bomba de milícias curdas na Turquia e uma tentativa de golpe militar em julho.

Desde então, o governo turco tem detido milhares de opositores no Judiciário, na polícia e em universidades públicas. A Turquia culpa o clérigo exilado Fetullah Gülen pela tentativa de golpe.

DIPLOMACIA

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Rússia e Turquia haviam se reaproximado recentemente, após um período de estranhamento, mas seus líderes ainda defendem visões opostas no conflito sírio.

A Rússia apoia o regime de Bashar al-Assad, enquanto a Turquia defende a insurgência que enfrenta o ditador desde março de 2011.

A fronteira entre a Turquia e a Síria foi especialmente importante para a passagem de militantes armados, durante os últimos anos, como os membros da organização terrorista Estado Islâmico.

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O atrito entre os países teve seu ápice em 2015, quando a Turquia abateu um jato russo, acusando o país de ter violado seu espaço aéreo. Moscou negou a invasão.

A morte do embaixador ocorre na véspera de uma reunião entre os chanceleres da Rússia, do Irã e da Turquia em Moscou para discutir a situação síria. O encontro não foi cancelado.

Karlov havia ajudado a mediar o acordo para a retirada de moradores de Aleppo, na semana passada, além de ter participado da reaproximação entre Rússia e Turquia no início de 2016.

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Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou durante o dia que o país considera a morte do embaixador como um ato terrorista e que "os assassinos serão punidos".

Vladimir Putin, presidente russo, conversou com Recep Tayyip Erdogan, sua contraparte turca, sobre o ataque. À televisão, Putin disse que o assassinato do embaixador "é uma provocação com o objetivo de minar o processo de paz na Síria".

Ambos os países afirmaram que o atentado não irá prejudicar as suas relações.

Segundo o jornal americano "The New York Times", houve raros casos de assassinatos de embaixadores russos. Pode ter sido a primeira vez desde que Pyotr Voykov, embaixador soviético na Polônia, foi morto em Varsóvia em 1927, afirma o diário.

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