Ministério Público move ação contra Hadadd e diretores do Municipal
GUSTAVO FIORATTI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito Fernando Haddad, o secretário de comunicação municipal Nunzio Briguglio Filho, o ex-secretário de cultura e ex-ministro da Cultura Juca Ferreira e o maestro John Neschling estão entre os nomes relacionados na ação civil que o Ministério Público de São Paulo ajuizou após investigar irregularidades nas contas do Theatro Municipal.
O promotor Marcelo Milani, autor do processo, disse nesta segunda-feira (19) que os acusados participaram de diversas irregularidades e improbidades administrativas. Segundo ele, Haddad foi alertado por José Luiz Herencia e também pelo Tribunal de Contas do Município de que a contratação do IBGC, organização social responsável pela administração da casa, bem como a contratação de Neschling, maestro e diretor artístico, eram ilegais.
A promotoria pede na Justiça a devolução aos cofres públicos de R$ 129 milhões, que seria o total de recursos destinados ao IBGC entre 2013 e 2015. "Toda a contratação da OS é ilegal, ela foi fraudulenta. Então tudo o que foi pago para o IBGC é ilegal, estamos pedindo tudo de volta", diz o promotor. Ele também requereu a suspensão dos direitos políticos dos agentes públicos citados.
ENTENDA O CASO
NOV.2015
José Luiz Herencia, então diretor-geral da Fundação Theatro Municipal, pede exoneração do cargo. Em dezembro, após apreensões em seus imóveis, passa a responder inquérito no Ministério Público. A Controladoria Geral do Município identifica rombo milionário nas contas do Theatro, relacionadas a esquema de superfaturamento de óperas
FEV.2016
Herencia tem bens bloqueados na Justiça. A Promotoria faz nova apreensão no Instituto Brasileiro de Gestão Cultural, organização social responsável pelas contas do teatro. William Nacked, seu diretor, é afastado do cargo e Paulo Dallari assume a administração geral do Municipal como interventor
MAR.2016
Com acordo de delação premiada, Herencia envolve outros agentes do Theatro na investigação. Aponta conflitos de interesse em contratações que envolvem um agente internacional de John Neschling, diretor artístico
JUN.2016
Câmara abre CPI do Theatro Municipal. No mês seguinte, Carlus Padrissa, diretor do grupo Fura Dels Baus, atesta no Ministério Público que o agente de Neschling no exterior, Valentin Proczynski, cobrou valor maior do teatro do que aquele que deveria ser pago ao grupo. Relatório da Controladoria aponta que rombo nas contas do teatro são de R$ 15 milhões
AGO.2016
Justiça autoriza a quebra de sigilo dos e-mails do maestro John Neschling, pedida pelo Ministério Público do Estado. A comissão da Câmara dos Vereadores faria o mesmo pedido à Justiça, porém este foi cancelado antes da votação pelo relator da CPI, o vereador petista Alfredinho
A CPI sinaliza requerer à Justiça a condução coercitiva de Neschling a uma próxima sessão. Também houve a decisão de requerer à Polícia Federal o passaporte do maestro e a suspensão de pagamentos a ele pelo Instituto Brasileiro de Gestão Cultural
SET.2016
No dia 5/9, o maestro John Neschling foi afastado do cargo diretor artístico do Theatro Municipal de São Paulo, dizendo-se traído por "todos aqueles" que um dia disseram prezar seu trabalho.
Dez dias após ser afastado do cargo, Neschling foi intimado a comparecer a sessão da CPI da Câmara Municipal. Ele já havia prestado depoimento em agosto, mas permaneceu em silêncio diante de todos os questionamentos feitos pelos vereadores da comissão.
