Macri critica chanceler venezuelana por tentar invadir cúpula do Mercosul
SYLVIA COLOMBO
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O presidente argentino Mauricio Macri respondeu nesta sexta-feira (16) à provocação do homem-forte do chavismo, Diosdado Cabello, que o chamou de "covarde" por conta do tratamento recebido pela chanceler venezuelana Delcy Rodríguez na última reunião do Mercosul, há dois dias, em Buenos Aires.
Por conta da "cessação da participação" da Venezuela, decidida pelos outros países do bloco, Rodríguez não estava convidada para o encontro, mas mesmo assim viajou à Argentina.
Ao ser avisada pela chanceler anfitriã do encontro, Susana Malcorra, de que não teria sua entrada permitida, Rodríguez insistiu e forçou a passagem para dentro do Palácio San Martín, onde ocorria a reunião, causando confusão entre manifestantes e policiais.
Em sua reprimenda ao governo argentino pelo ocorrido, Cabello disse ainda, em seu programa de TV "Con el Mazo Dando", uma plataforma de apoio ao governo de Nicolás Maduro, que o país deveria retirar seu representante diplomático em Caracas, Eduardo Porreti.
"Que faça suas malas e que vá embora daqui. Seu governo é inimigo da pátria de Bolívar", declarou. A Argentina está sem embaixador no país, e Porreti é o diplomata de mais alto cargo na representação argentina em Caracas.
Na quinta-feira (15), o governo venezuelano ainda alegou que Rodríguez havia sido ferida pelas forças de segurança que guardavam o Palácio San Martín, algo que não se observou no local: a chanceler despediu-se sorridente dos manifestantes e saiu dali caminhando normalmente em direção ao carro que a transportou.
Em entrevista a jornalistas após a reunião bilateral com a presidente chilena Michelle Bachelet, Macri disse que "covarde é submeter um povo pela força e não deixá-lo se expressar".
Com relação ao episódio de Rodríguez, o mandatário argentino disse ainda que se trata de "uma pequena anedota perto do problema maior, que é a pobreza, o abandono e o desrespeito aos direitos humanos que vêm ocorrendo na Venezuela."
Também recriminou a chanceler venezuelana porque "uma pessoa não pode se auto-convidar a um encontro para o qual não foi chamada."
Macri ainda acrescentou que "a cada dia ficamos sabendo de novas medidas e imposições do governo venezuelano contra seu próprio povo. Nós desejamos apenas que tudo isso acabe e que os venezuelanos possam finalmente decidir sobre o seu futuro."
A Argentina defende que se realize o referendo que revoga o mandato do presidente Nicolás Maduro, como quer a oposição venezuelana. A ideia da consulta, no entanto, perdeu força depois que a Justiça do país anulou parte da coleta de assinaturas necessárias para fazer a votação.
Também questionada sobre o tema, Bachelet disse que não cabe ao Chile, como membro associado do Mercosul, opinar sobre a cessação da participação da Venezuela, mas que respeita a decisão tomada pelos países integrantes. "Nós mostramos nossa preocupação e apoiamos a via do diálogo para um encerramento pacífico dessa situação."
Outro membro associado do Mercosul, porém, a Bolívia, assumiu outra posição, alinhando-se à Venezuela. O presidente Evo Morales, inclusive, havia enviado à Argentina seu chanceler, David Choquehuanca, que participou da entrada forçada ao Palácio San Martín junto a Rodríguez.
ALIANÇA DO PACÍFICO
Ainda na tarde desta sexta, Macri e Bachelet também anunciaram ter tratado da Aliança do Pacífico durante a reunião bilateral.
Hoje, a Argentina é apenas um país-observador do bloco formado por Chile, México, Peru e Colômbia. Mas, na conferência, sugeriu-se que esse status pode mudar.
"Vamos continuar trabalhando com o Mercosul e também avaliamos uma maior integração da Argentina à Aliança do Pacífico", disse Bachelet.
Macri anunciou que, agora que seu país está na presidência pro-tempore do Mercosul, o plano é que se realize brevemente um encontro para discutir a aproximação entre os dois blocos.
