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Filme brasileiro 'Pequeno Segredo' está fora da corrida do Oscar

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GUILHERME GENESTRETI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O filme nacional "Pequeno Segredo", de David Schurmann, está fora da corrida para o Oscar. O drama dirigido pelo catarinense era a escolha brasileira para tentar uma das vagas na categoria de melhor filme estrangeiro.

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A lista de nove finalistas, também conhecida como "shortist", foi divulgada nesta quinta (15) pelo site "Deadline". Nela estão filmes elogiados como "Toni Erdmann", de Maren Ade (Alemanha) e "É Apenas o Fim do Mundo", de Xavier Dolan (Canadá).

Esses longas disputarão as cinco vagas de filmes indicados ao Oscar, que só serão anunciadas em 24 de janeiro. A cerimônia está marcada para 26 de fevereiro, em Los Angeles.

Autobiográfico, "Pequeno Segredo" gira em torno da história da adoção de uma menina soropositiva pela família de velejadores Schurmann.

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A sua escolha para representar o Brasil, feita por uma comissão instituída pelo governo, foi marcada por controvérsia.

Isso porque o favorito à vaga era "Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, que estreou na competição do Festival de Cannes, em maio, sob um protesto feito pela equipe do filme contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Em agosto, o Ministério da Cultura anunciou entre os membros da comissão do Oscar o comentarista de cinema Marcos Petrucelli, que já havia usado seus perfis em redes sociais para depreciar o protesto feito por Kleber.

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A indicação de Petrucelli motivou na classe cinematográfica a acusar o governo Temer de estar retaliando "Aquarius" por causa do protesto em Cannes.

Conforme aumentou a controvérsia, dois integrantes do comitê -o diretor Guilherme Fiúza Zenha e a atriz Ingra Lyberato- deixaram o posto e foram substituídos pelos cineastas Bruno Barreto e Carla Camurati.

E três diretores desistiram de inscrever seus filmes em apoio ao longa de Kleber: Aly Muritiba ("Para Minha Amada Morta"), Anna Muylaert ("Mãe Só Há Uma") e Gabriel Mascaro ("Boi Neon").

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Petrucelli disse que sua contrariedade se limitava às posições políticas do diretor e que isso não iria afetar seu julgamento na comissão. Outros membros também negaram a partidarização.

O escolhido, no entanto, foi "Pequeno Segredo", que tinha um perfil mais "adequado" aos gostos da Academia, segundo o comitê. A eleição gerou mais grita no meio cinematográfico e suspeitas de retaliação a "Aquarius".

O Brasil foi indicado quatro vezes ao Oscar de melhor filme estrangeiro: por "O Pagador de Promessas" (1963), "O Quatrilho" (1996), "O Que É Isso, Companheiro?" (1998) e "Central do Brasil" (1999). Mas nunca levou o prêmio.

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